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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Danielle Esmeraldo, entrevista feita por Alexandre Lucas, por : Janinha




A coreografa e bailarina Daniele Esmeraldo a frente da Secretária da Cultura, Esporte e Juventude possibilitou uma nova dinâmica na gestão de políticas públicas e de eventos na cidade do Crato. Com apenas cinco anos ela conheceu o universo das artes e uma das pioneiras na dança contemporânea na Região do Cariri.

Alexandre Lucas - Quem é Daniele Esmeraldo ?

Daniele Esmeraldo - Cratense,orgulhosamente.Sagitariana,nascida em 03 de dezembro, mãe aos 14, de duas filhas encantadoras,filha de pais inigualáveis, descendente da Família Esmeraldo, da qual tenho muito orgulho. Não me considero nenhuma intelectual; Mas idealista, persistente, que gosta de criar e realizar; Tenho na minha essência o amor pela arte, pela dança,e a ela, minha gratidão por muito do que sou hoje. Muitos desafios e obstáculos vencidos, numa sucessão de acontecimentos, que engrandeceram minha forma de ver e viver a vida!!! Hoje tenho uma missão maior, de cuidar, e proporcionar o bem-estar material e espiritual de muitas pessoas; Bailarina, coreógrafa, diretora, produtora, pedagoga, professora, que disseminou a dança na região do cariri, e na educação, inovou com a Dança na Escola, através da arte-educação, utilizando a arte e o lúdico como meio facilitador da aprendizagem cognitiva.

Atualmente, gestora com muita honra e mais responsabilidade ainda, de uma pasta fascinante, que é a Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude do Crato, que em muito me dá prazer em geri-la, mesmo que ainda com algumas limitações.... mas, quando a gente ama, a gente cuida!E eu amo a Arte, a cultura e a vida!

Sou uma pessoa que busca no dia-a-dia, o aprimoramento e a elevação espiritual, tendo sempre em mente, o princípio“ O Espírito é o principal, a Mente obedece e o Corpo acompanha, além de trazer para bem perto de mim, o treinamento da gratidão, humildade e obediência, buscando caminhar pelos trilhos e pelos caminhos que me levem a aproximar-me cada vez mais de Deus! Sou feliz, porque amo e me sinto amada!

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Daniele Esmeraldo - Enveredei pelo caminho da arte, aos cinco anos iniciando com aulas de acordeom. Um ano depois fiz aula de piano, canto coral, no tão mágico Pequeno Coral, da Sociedade de Cultura Artística do Crato. Paralelamente e felizmente, iniciei meus primeiros passos aos 6 anos, com aula de ballet, jazz e sapateado, na Academia de Danças Silvia, a Pioneira da região, minha grande mestra! Aos 13, assumi a direção de um espetáculo, no dia do ensaio geral, em substituição à minha diretora, Silvia, que saiu para cuidar de sua filha que estava prestes a dar a luz!! Aquela foi a minha primeira experiência em direção.... Imaginem, uma menina, dirigindo mais de 200 bailarinos entre crianças e adultos, iluminadores, cenógrafos, sonoplastas.... kkkkk, ainda bem que deu tudo certo! A minha primeira Academia foi criada aos meus 16, em Barbalha, e aos 17, A Corpo e Movimento se instalava no Crato, com o apoio incondicional dos meus queridos pais, que acreditou no meu trabalho. Durante mais de 11 anos, foram desenvolvidas atividades na área de dança, teatro, produções artísticas e culturais. Foi também, nessa época que se deu o início do Grupo de dança Corpus x Corpus.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Daniele Esmeraldo - Os primeiros passos me foram ensinados pela Pioneira da dança no Cariri, Inês Silvia, na trajetória de 12 anos de aula, eu passei por vários mestres, como Vera Passos, Lucinha Machado, Cláudia Pires, Mário Nascimento, Valéria, hoje da Cia. Vatá( sapateado) e na pesquisa e inspiração, claro a magnífica Pina Baush,Rodolflaban, Débora Colker, Grupo Corpo, kaiser Cia. de Dança.



Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Daniele Esmeraldo - Como já citei acima, iniciei minhas primeiras experiências profissionais aos 15, em Barbalha, com a criação da Academia Som e Fantasia, durante um ano....esse foi um dos períodos que mais me esforcei para me especializar e profissionalizar. Há, mais antes disso, já dava aula na Academia que estudava, para alunas de Baby Class.Com 12 anos, já ganhava meus primeiros trocadinhos. Em 1988 inaugurei no Crato a Academia Corpo e Movimento, realizando 11 Festivais de Dança, nas categorias infantil e adulto, somando na verdade não 11, mas 22 espetáculos.... pois, eram 2 atos em 1. Ballet, Jazz,Dança Cigana, Mambo, anos 60, sapateado, Contemporâneo, foram ritmos que fizeram parte do nosso conteúdo e que se espalharam pela cidade, não só nos Festivais, mas em desfiles, aniversários, e eventos sociais, dançando inclusive na EXPOCRATO, num momento de intervenção inédita, quando a dança contemporânea, invadiu a maior festa popular, atraindo os olhares do público, que parou pra observar, aquela arte não muito conhecida ainda. Foi uma grande experiência. Passei mais ou menos, três anos para conquistar o reconhecimento do meu trabalho, por ser muito nova, as pessoas não acreditavam muito na minha capacidade. Dançávamos em chão batido, coreografava de graça, sem remuneração nenhuma... mas sempre lembrando ao grupo de bailarinos, que um dia poderíamos ser reconhecidos! Hoje, já posso me orgulhar dessa trajetória, e dizer que os conhecimentos adquiridos ao longo das experiências vividas, em sua maioria, me foram oportunizado pela dança. Todo o esforço sincero em contribuir para a cultura da minha cidade, talvez tenha repercutido na escolha do Prefeito Samuel Araripe e da primeira dama Mônica Araripe, em me confiar a gestão da Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude, o que me enche de orgulho, pois, como filha do Crato, sei do grande potencial e celeiro cultural, que está sob nossa administração. É muita responsabilidade também!

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Daniele Esmeraldo - Vendo política como um caminho para a idealização, construção e realização de ações para o bem comum de um povo, ou de um determinado grupo social, e vendo um politico como aquele que tem a vocação para cuidar de um coletivo, e fazendo um paralelo da política com a arte, vejo que através dela, se manifesta desejos, se busca o equilíbrio, se encanta a vida, ideias são externadas, vidas são mudadas. Por tudo, a arte também é um majestoso caminho para transformar, propor, insultar e até mesmo denunciar. A arte não pode ser mais tão subjetiva, creio que devemos usar os palcos, a música, as telas e telões, também como uma ferramenta de mudar e transformar o mundo. Como vejo ainda, o artista como um grande político, que acopla pessoas, através do seu talento, sendo o grande gestor de sua arte.

Alexandre Lucas - Hoje a dança contemporânea está bastante difundida. Você foi uma das pioneiras neste estilo de dança no Cariri. Fale deste trabalho.

Daniele Esmeraldo - Quando iniciei as aulas de ballet, me sentia presa, aos passos que só doíam, mas que foram estritamente necessários para a técnica e o aprimoramento dos movimentos da dança. Logo veio o jazz, que já era mais solto, mas o que me encantou mesmo foi poder aproveitar e utilizar a técnica do ballet, os passos soltos do jazz, juntamente com o início do trabalho de próprio de percepção e criatividade que a dança contemporânea nos remete. Inspirei-me e estudei as técnicas desse estilo inovador, tendo a grande Pina Baush, como responsável pela minha afinidade ao contemporâneo, estilo esse, que nos faz interagir consigo e com o nosso meio. E para estreitar ainda mais a grande relação com o contemporâneo, vale ressaltar, tive o grande privilégio e a grande honra, de dançar em terras cratenses, no auditório da URCA, para Ela, Pina Baush, a maior sumidade da dança contemporânea do mundo, em sua visita ao Cariri, é mole?. Um presente proporcionado por meu mestre, doutor, Fábio Rodrigues, à nossa Companhia o Grupo CorpusXCorpus, com o espetáculo Beatos. E hoje o contemporâneo invadiu o mundo, e como não o Crato, o Cariri.

Alexandre Lucas - A dança contemporânea exigi um estudo da realidade?

Daniele Esmeraldo - O contemporâneo busca aproximar o homem sim da sua realidade.Foi com a idéia de estreitar o relacionamento do homem com o mundo, de vivenciar, sentir e se autodescobrir, que se iniciou essa maravilhosa forma de dançar. A dança contemporânea não se define em técnicas ou movimentos específicos, pois o intérprete/bailarino ganha autonomia para construir suas próprias partituras coreográficas a partir de métodos e procedimentos de pesquisa como: Improvisação, Contato Improvisação, propriocepção, Método Laban, Técnica de Release. Esses métodos trazem instrumentos para que o intérprete crie suas composições a partir de temas relacionados a questões políticas, sociais, culturais, autobiográficas, comportamentais, cotidianas como também a fisiologia e anatomia do corpo. Cabe ao coreógrafo, como acontece com todo artista, descortinar sua criação, traduzindo através do movimento, os seus sentimentos e a sua visão de mundo.

Alexandre Lucas - Você costuma dizer que antes de ser Secretária é artista. Qual a importância de uma artista assumir uma Secretária da Cultura?

Daniele Esmeraldo - Lembro-me, ao me levantar para produzir meus Festivais, quando eu exercia quase todas as funções, de coreógrafa, professora, bailarina, diretora, produtora (divulgação, captação de recursos)o quanto eu sentia dificuldades para conseguir recursos. Muito chá de cadeira, muitos nãos.Todos os pingos de suor, se distribuíam pelas salas de ensaio e respingavam no interesse dos patrocinadores em apoiar os Festivais..... salve os empresários da época. Sempre tive o cuidado de me colocar na situação daquele que está ali do outro lado da mesa, que tanto foi e será o lugar no qual estive e estarei. Valorizar cada arte, dar a real importância que merece nossos artistas, e saber que nós somos pessoas perseverantes e que batalhamos muito ainda para realizar uma determinada obra, são sentimentos que me norteiam na forma de conduzir o meu trabalho como gestora da Cultura.

E é com esse sentimento de reconhecer o grau de valor que tem a nossa cultura, em toda sua diversidade, que tento, juntamente com o nosso gestor maior, atender às necessidades dos nossos artistas e da nossa Capital da Cultura, fazendo jus ao seu nome, e me esforçando para dar não o mínimo para o artista, mas o nosso máximo em apoio, estrutura, atenção e valorização. Creio que a nossa sensibilidade e vontade de acertar é maior do que os obstáculos enfrentados!

Alexandre Lucas - Quais os principais desafios a frente da Secretaria?

Daniele Esmeraldo - A resposta não é de se surpreender, recursos, recursos e recursos. Existe uma previsão orçamentária, pelo fundo geral do Município, que não quer dizer, que necessariamente existe o recurso. Somente, com os recursos da Prefeitura, fica inviável promover a cultura, em todos os seus segmentos. Precisamos de muita criatividade e muita dança, para conseguir executar os projetos. Apesar de ter um gestor, que valoriza e acredita no valor e na importância da nossa Cultura, ainda assim, é muito difícil!

Alexandre Lucas - Quais os avanços?

Daniele Esmeraldo - Bom, em princípio, não existia no Crato uma pasta específica de Secretaria da Cultura, bem como Conselho de Cultura, nem Lei Municipal de Incentivo á Cultura, nem Fundo Municipal. Hoje o Sistema Municipal (Secretaria, Conselho, Fundo Municipal) já está legalizado e em pleno funcionamento. Realizamos duas Conferências Municipais, acreditando plenamente no valor de uma gestão participativa, cujo resultado se deu com a elaboração do nosso Plano Municipal de Cultura. Pensando em promover,dar continuidade e fortalecer, vários projetos de políticas públicas foram criados e desenvolvidos, como a EMMA (Escola de Música maestro Azul), cujos frutos já se podem ser reconhecidos, através da Banda Mirim do Crato. A Casa Harmônica (Núcleo de Projetos Sócio-Culturais), idealizados pela Primeira Dama Mônica Araripe,que desenvolve projetos de inclusão e formação cultural, com a participação de mais de 500 crianças, nas áreas de Dança e Teatro, culminando estas na criação da EMCART( Escola Municipal de Cultura e Arte), realizadas no Teatro Municipal, e aulas de Artes Plásticas, Incentivo á leitura e ao desporto. O Festival Cariri da Canção, hoje a maior festa da música que acontece na Região do Cariri. O apoio incondicional à Cultura Popular, que é o que a gente tem de mais rico nessa terrinha cratense. Vários eventos com cunho educacional, histórico, pesquisa, inclusivo e de tradição, são realizados anualmente, como o Desfile das Virgens,Chapada Viva do Araripe,O Abriu Pra Juventude,Cariri Cangaço, Festival Folclórico e Doce Natal,todos eles acontecem com o intuito de aprimorar conhecimentos, difundir, divulgar, valorizar, fazer intercâmbio entre atores, artistas, mestres, músicos, historiadores, crianças e adolescentes. No setor de Museus, foram restauradas as valiosas obras sacras e uma grande parte das Obras de arte, no Museu Histórico e de Arte Vicente Leite. Além de termos o Centro Cultural do Araripe, com a Budega Cultural, O Café Maria Fumaça, A Biblioteca Municipal, e a Galeria de Artes, formando o maior complexo cultural da região, sendo este, nossa casa, nosso palco, nosso chão, nosso teto, onde tudo acontece, um lugar onde se respira a mais pura arte. Alexandre Lucas - O que ainda precisar ser feito para avançar nas políticas públicas para a cultura?

Daniele Esmeraldo - Algo muito importante, creio que a implantação de uma política de Edital própria do Município para que possamos democratizar o acesso aos recursos. Realizar Fóruns, para sensibilizar as pessoas Físicas e Jurídicas para se tornarem amigos da Cultura, fazendo suas doações, patrocínios, para o Fundo Municipal de Cultura. É de extrema importância também, realizarmos ações , ampliarmos e fortalecermos os projetos já desenvolvidos pela Secretaria, descentralizando-os, atingindo não somente na Sede, mas nos bairros mais distantes e nos distritos do Crato, apesar, de já realizarmos algumas ações neles. Ah! Vamos lutar também por nossa sala de Cinema.

Alexandre Lucas - O Ministério da Cultura avançou em termos de ampliar, consolidar e descentralizar recursos públicos para cultura. Você acredita que isso repercute nos Municípios?

Daniele Esmeraldo - Claro que sim. Gilberto Gil, Juca Ferreira, ambos Nordestinos, foram nossos grandes defensores, no que diz respeito á descentralização dos recursos federais, tendo em vista que a fatia maior ou quase todo o bolo de recursos sempre ficavam lá pras bandas do sul. Espero que essa política democrática, com a nossa nova Ministra Ana Buarque, possa dar continuidade e avançar mais ainda. E agora temos mais uma esperança de tempos melhores. Com a aprovação do Sistema Nacional de Cultura, que prevê o repasse de recursos de 2% União –1,5% Estado – 1%Município, que com certeza nos assegurará uma condição maior para a execução de Projetos e Políticas Públicas na nossa Cidade.

Alexandre Lucas - Quais os próximos trabalhos da Secretária?

Daniele Esmeraldo - A nossa prioridade hoje, além de dar continuidade e melhorar todos os projetos já desenvolvidos por essa Administração, é a modernização e aquisição de equipamentos para os Espaços Culturais. Teatro Municipal, Biblioteca Municipal, Auditório do Centro Cultural do Araripe e Museus. Estamos formatando um projeto para trazer o Museu de Arte para a galeria do Centro Cultural da Araripe. E logo, logo, estaremos inaugurando a nossa Rádio Cultural do Araripe, que funcionará no Bairro Alto da Penha, com o programa Alô Rabo da Gata, que será conduzido por crianças e adolescentes daquela localidade. É imprescindível, termos esses espaços em pleno funcionamento, até porque, eu também quero usufruí-los, durante e quando não mais estiver ocupando o cargo de Secretária.

Alexandre Lucas - Quais os seus próximos trabalhos artísticos?

Daniele Esmeraldo - Muitas pessoas me param na rua e me indagam a volta dos meus Festivais, talvez elas não estejam acompanhando de perto, e o quanto eles ainda estão acontecendo, e estão muito mais vivos, com o Doce Natal, que é um espetáculo de Arena, a céu aberto, com mais de 200 crianças a cantar, dançar e interpretar. Esse momento ímpar, é também uma grande oportunidade de praticar e propagar a minha dança, junto á crianças dos quatro canto da nossa cidade. Se amar é viver, eu danço a vida. Não consigo sem a dança. Estamos voltando, através da Cia. Municipal Crato de Dança, Cia. Cultural do Cariri e Cia. Mi de Dança, com a produção de alguns espetáculos que já estão em fase de elaboração e criação... Pra materializar, espero que sua entrevista dê sorte Alex (Alexandre Lucas), gostaria de ter condições de estrear ainda esse ano, o Bárbara Mulher (Espetáculo Solo), Caldeirão (Espetáculo de Arena in loco), Mi- (Duo), e ainda RFFSA e Cia.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Janinha Brito - A (a)postadora do Cariri no mundo: Por: Alexandre Lucas





Blogueira aposta no registro e na difusão da produção artística e cultural da região do Cariri, Sul do Estado do Ceará, como forma fortalecer a identidade do povo do Cariri. Janinha é uma pequizeira, para quem é do Crato/CE isso é sinônimo de guerrilheira, ela é uma dessas mulheres fortes e defensoras do “cratinho de açúcar” .

Alexandre Lucas - Quem é Janinha Brito?


Janinha Brito - Sou uma apreciadora de arte e cultura do Cariri, cantora, blogueira e articuladora cultural.


Alexandre Lucas - Quando teve início seu trabalho artístico?


Janinha Brito - Em 1993, nos bares do Cariri, fazia dupla com Júnior Rivadávio, viajava com shows de MPB.


Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?


Janinha Brito - Música Popular Brasileira, especificamente a Nordestina, trazida pelo meu pai.


Alexandre Lucas - Como você vê a relação entre arte e política?


Janinha Brito - Vejo avanços, o governo Lula abriu portas para a arte e cultura, valorizando mais a arte popular, o ensino de artes nas escolas, projetos, eventos etc.
Muito pode ser feito ainda, mas já podemos hoje nos projetar a viver de arte.


Alexandre Lucas - O que é música para você?


Janinha Brito - Me emocionei com a pergunta...música é o meu sentido, minha razão.
Meu pai era músico, cada fase da minha vida tem uma forte lembrança musical, ela será minha profissão, a faculdade que farei, meu lazer, como sou lembrada pelas pessoas, alimento da minha alma!


Alexandre Lucas - Você vem dedicando parte do seu tempo a manutenção do Blog Cultura no Cariri. Como surgiu a idéia do Blog?


Janinha Brito - Pela necessidade de um espaço na internet onde pudéssemos saber mais sobre a cultura da nossa cidade.


Participei de um seminário do MINC, e do Entre Pontos, lá nos perguntaram sobre como saber mais sobre a música e cultura da nossa região, se estávamos organizados em uma associação ou tínhamos disponível algum material sobre a carreira na internet, percebi então nossa carência de registros e divulgação do trabalho, desde então tenho, com amor, me dedicado junto de grandes parceiros a atualizar o "Cultura no Cariri".


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?


Janinha Brito - Resgate da história de grupos de reisados, divulgação de novos artistas, de projetos sociais, etc.


Alexandre Lucas - O que é a cultura no Cariri?


Janinha Brito - É a essência do "ser" nordestino, a mistura da história, tradição, música, dança, poesia da forma mais pura e verdadeira.


É a nossa chapada do Araripe, nosso reisado, as lendas sobre as passagens de Lampião e seu bando contadas por nossos avós, é a rapadura e nossos velhos engenhos, o pequi, as romarias ao "padim Ciço", é a festa do pau da bandeira, procissão de Nossa Senhora da Penha, a feira, é Patativa, é Luiz Gonzaga!


Alexandre Lucas - Como você vê a participação dos músicos e interpretes do Cariri nos grandes eventos da Região?


Janinha Brito - Já pensei muito sobre isso, nossa exclusão deve ser transformada em uma grande guerrilha artística, idéia do Cacá Araújo e direcionada aos atores de teatro quando sentiram-se excluídos de uma das maiores manifestações culturais da região, além do mais, a tal "grande" festa vem perdendo o caráter cultural a cada ano, temos de nos organizar para melhor reivindicar nossos direitos.


Alexandre Lucas - O que é preciso para democratizar a diversidade musical?


Janinha Brito - A internet é uma grande parceira dos artistas, a forma mais acessível e dinâmica de apreciar e divulgar o trabalho. Temos muito ainda a explorar!


Alexandre Lucas - Como você enxerga o cenário musical do Cariri?


Janinha Brito - Precisa ainda profissionalização, oportunidades, incentivo material, organização e valorização!


Alexandre Lucas - Quais seus próximos projetos?


Janinha Brito - Voltar a cantar um repertório com músicas nordestinas e compositores caririenses, expandir o Cultura no Cariri, criar uma associação dos músicos do Cariri.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Nívia Uchôa - O cotidiano como uma poética de luz, Por:Alexandre Lucas


Uma série de entrevistas com artistas, produtores e gestores culturais serão realizadas pelo Coletivo Camaradas e disponibilizada para blogs e sites. A série entrevistará nomes como Jorge Mautner, Oswlad Barroso, Vitória Regia Turin, Lula Gonzaga, Hamurabi Batista, Augusto Bitú, Norma Paula, Alexandre Santini, Marlon Torres. A série inicia entrevistando Nívia Uchôa.
Nívia Uchôa tem um trabalho que vem sendo reconhecido nacionalmente, com uma poética própria e cheia de luz, a artista consegue a partir cotidiano das camadas populares criar poesias visuais com a sua fotografia. Natural de Aracati, mas desde a infância reside no Cariri do Ceará.

Alexandre Lucas - Quem é Nívia Uchôa?

Nívia Uchôa - Fotógrafa há 16 anos, com pesquisa etnográfica e antropológica na Região do Cariri, Ceará e no Brasil com uma documentação sobre relação do ser humano com água com projeto Água Pra que te quero! Formação acadêmica Geografia e atualmente sou professora substituta de Fotografia e Cinema da Universidade Regional do Cariri URCA na Escola de Artes Violeta Arraes. Fundadora do grupo de fotografia POESIA DA LUZ

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?


Nívia Uchôa - Quando iniciei minha carreira em 1994, meu trabalho já veio carimbado com um olhar artístico, pois minha estética já se consolidava com uma busca pelo meu olhar autoral, pelo meu traço.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Nívia Uchôa - História da Fotografia , na fotografia Contemporânea, cinema e pintura e a teoria quântica, mas, tenho influencias da fotografia do Cartier Bresson, Sebastião Salgado, Tina Modotti, Celso Oliveira, Tiago Santana, João Roberto Ripper, Cristiano Mascaro, Maureen Brisilliat, Frederico Fellini, Akira Kurosawa, Michelangelo Antoinioni, Glauber Rocha, aqui no Cariri, tenho influencias da profusão artística, do artesanato, da cultura da tradição oral, da pintura do Luis Karimai, do fotografo Gilberto Morimitsu e da influencia do cotidiano desses lugares cheios de identidade e polissêmicos.

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Nívia Uchôa - Penso que ainda falta mais esforço para que ambas dialoguem com mais freqüência, o artista não pode ficar distante da política e ou vice versa, a política ainda é vista como clientelista, ou melhor, ela ainda é clientelista, dai dificulta fazer a arte e política andarem mais próximas, pelo menos eu não me utilizo dela para minha arte. Mais em nível universal várias vertentes políticas pensam a arte.


Alexandre Lucas - O que representa a fotografia na sua vida?

Nívia Uchôa - Luz, sobretudo vida, não viveria longe da fotografia, da luz que a faz ser. Não seria Nívia Uchôa se não fosse à fotografia, não conduziria meu caminho com tranqüilidade se não fosse a fotografia. Fotografia é o alimento da minha alma.

Alexandre Lucas - Você tem um trabalho de militância política na área da cultura. Isso reflete na sua produção estética e artística?

Nívia Uchôa - Minha militância é mais pelo trabalho e a produção de uma coletividade no mundo da arte, pois penso que sem esse olhar mais coletivo, seremos seres cada vez mais individualistas, a arte é como a água tem para todos e todas, se essa fonte secar sofreremos com isso, quanto a saber se isso reflete em minha produção estética e artística, nunca parei para pensar sobre isso, pois por mais que falo em coletivo, ainda tenho um trabalho solitário, as pessoas não gostam de trabalhar juntas, elas acham que vamos roubar suas idéias e seus ideais, mas, como tenho um traço próprio, não tenho medo de que me roubem, pois não tem como roubar a luz que vejo, a luz que recorto da realidade, essa que nos segue e persegue em um piscar de olhos.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Nívia Uchôa - Bom, fiz vários trabalhos, mas, citarei aqui os que me deram prazer em realiza-los. Fotografar Juazeiro do Norte-Ce esse faço naturalmente em meu cotidiano, em 1997 fiz um trabalho com um amigo Antonio Vargas, fomos fotografar a rampa de lixo de Jangurussu em Fortaleza-CE, trabalho esse que me emocionou profundamente pela forma que essas pessoas viviam literalmente no lixo, esse trabalho foi exposto na UFC, Grenoble, Paris, Bruxelas, Lion. Em 2000 fiz uma exposição que a Dodora Guimães curadora da exposição, intitulou de Gentes do Cariri, foi com esse trabalho que fiquei conhecida no Ceará, o qual pude expor no Palácio da Abolição no Centro de Artes Visuais Raimundo Cela em Fortaleza, em 2005, 2006 e 2007 fiz um trabalho para a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará sob a gestão da Cláudia Leitão e pude viajar o Ceará quase todo, isso me rendeu algumas publicações entre elas Memória do Caminho do Oswald Barroso e o Guia Turístico Cultural do Estado. Iniciei minha trajetoria no audiovisual e cinema realizando alguns curtas como Adeus meu bem, Catadores de Piqui, Quarta Parede, Quero viver igual a um beija-flor. Em 2010 participei de uma coletiva de 30 anos de Fotografia da Curadora Rosely Nakagawa nos Centros Culturais Caixa Economica Brasilia, São Paulo, Salvador e Curitiba, na ocasião tive a oportunidade de esta ao lado dos grandes fotografos brasileiros Cristiano Mascaro, Thomaz Farkas, Mário Cravo Neto, Pedro Karp Vasquez, Luiz Braga, Celso Oliveira, Tiago Santana, Guy Veloso, entre outros famosos no universo da fotografia brasileira e finalmente um trabalho que me consolido através da antropologia visual, meu mais novo trabalho intitulado Água pra que te quero! Esse esta em fase de conclusão e conto a história de 3 bacias hidrográficas do estado do Ceará através da imagem e de uma pesquisa que fiz com uma equipe em 2 anos. Esse trabalho será lançado em março e constará de um livro e um vídeo onde conto a relação do ser humano com água. E por fim faço parte atualmente da Rede de Produtores de Fotografia no Brasil o qual realiza várias atividades no campo da produção da fotografia brasileira como realizadores, agitadores culturais e comunicadores.

Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?
Nívia Uchôa - Penso que a fotografia está além de tudo a serviço do social, devemos mostrar nosso universo de cotidiano através das imagens, sobretudo quando devemos e podemos relatar a arte através dele. A imagem fotográfica DIZ e com isso ela pode denunciar, conduzir, salvar, ela nos faz acreditar ser ela própria sem nada esconder, a fotografia esta além do que se pode imaginar, ela diz por si só.

Alexandre Lucas - Você acredita que a Academia elitiza a arte?

Nívia Uchôa - Bem, penso que arte se auto-elitiza, a academia ensina arte como está nos livros, à arte esta desde seu inicio, desde quando o ser humano pode se comunicar, arte pela academia é conceito.

Alexandre Lucas - Quando a arte humaniza?


Nívia Uchôa -
Quando ela sai da individualidade e mostra seu lado coletivo, quando ela não cai no amadorismo, mas, quando ela busca saber, propor, dizer para que ela veio, sair dos conceitos e ir para prática.

Alexandre Lucas - Como você enxerga os coletivos de artistas?

Nívia Uchôa - Penso que ainda estamos muito atrasados aqui no Cariri, mas nacionalmente e mundialmente temos vários coletivos. A idéia de se coletivizar é bem interessante, pois precisamos do olhar dos outros para produzirmos e assim saber quem somo nós.

Alexandre Lucas - Como você ver atuação do Coletivo Camaradas e qual a sua relação com esse grupo?

Nívia Uchôa - Vejo com uma força grande, mudou muito aqui em nossa região, o Coletivo Camaradas pensa a arte e a política, pensa os trabalhos a parir de um todo. Minha relação com o Coletivo ainda não é de uma total militância por conta da minha agenda que tem sido intensa, mas, quero e posso me dedicar muito mais.

Oswald Barroso - O desbravador da história popular do Ceará, Por:Alexandre Lucas





Se os bandeirantes estiveram a serviço do Rei, Oswald que é de outro tempo esteve a serviço das camadas populares, descobrindo e esculpindo a história do povo do Ceará pisoteada pelas elites econômicas. Entre travessias e encruzilhadas percorreu os 184 municípios cearenses para transformar em arma emancipatória a história e a arte do seu povo.


Alexandre Lucas - Quem é Oswald Barroso ?

Oswald Barroso - É um multi-artista pesquisador que tem procurado se dedicar à causa dos oprimidos, atuando como uma espécie de griô, ou um exu, como queiram, sempre em travessias e encruzilhadas: vendo, ouvindo, sentindo a vida popular, traduzindo estas vivências em formas artísticas, para difundi-las em novos caminhos. Comecei com desenho, pintura e poesia. Depois desenvolvi um bom trabalho como letrista e cheguei mesmo a tentar ser músico. Até que me fixei no teatro e fiz ainda muitos vídeos documentários, chegando mesmo a gravar uma experiência em ficção, O Filho do Herói, para a TV Educativa, atual TVC. Hoje gosto também de fotografar, como uma forma de anotação etnográfica. No teatro, passei 18 anos no Grita, 10 no Boca Rica e agora estou do Teatro de Caretas. Fiz de tudo, trabalhei como ator, diretor, dramaturgo sempre, cenógrafo, iluminador etc. No jornal, fiz reportagem, ensaios e crítica de arte e, na universidade, ensino música nas tradições populares, estética, cultura brasileira e antropologia da arte. Admiro o homem renascentista, que transitava entre artes, saberes e culturas sem a menor cerimônia. Quem sabe estejamos retomando esse caminho.

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Oswald Barroso - Em 1964, depois que um acidente de trânsito encerrou minha carreira de atleta. Eu tinha 16 anos e havia sido convocado para a seleção cearense de vôlei. Uma camionete rural partiu minhas duas pernas, fraturas expostas, e mudou meu destino. Passei mais de um ano acamado e outro ano em tratamento hospitalar no Rio de Janeiro. Foi a oportunidade de conhecer toda a literatura brasileira, principalmente a poesia, e muito do modernismo europeu. Eu lia, escrevia e desenhava sem parar. No Rio de Janeiro, onde passei o ano de 1965, entre uma internação e outra no hospital, freqüentei a vida cultural da cidade: museus, bibliotecas, cinemas, shows, festivais. Voltei muito informado à Fortaleza. Já em 1966, no Colégio São João, me liguei ao grêmio e formamos um grupo de estudos marxistas. No ano seguinte, descobrimos articulações com o pessoal de esquerda, não só com o movimento estudantil, mas com o movimento popular, pescadores e operários de fábrica, no caso, porque eram eles que a gente queria retratar em nossa arte.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Oswald Barroso - No início por influência do meu pai, poeta modernista, que colocou meu nome em homenagem a Oswald de Andrade, foram os poetas modernistas brasileiros: o próprio Oswald, Mário, Carlos Drummond, Vinícius de Morais, Manoel Bandeira, Solano Trindade, com destaque João Cabral (considero Morte e Vida Severina o maior texto dramático brasileiro), os cearenses, principalmente: Antônio Girão, Aluízio Medeiros e Jáder de Carvalho. Entre meus professores: André Hagüette, Francisco Alencar e Diatahy Bezerra de Menezes. Entre amigos de geração, parceiros, me influenciaram diretamente: Adriano Espínola e Rosemberg Cariry. Dos romancistas e intelectuais brasileiros: Graciliano Ramos (à lucidez de quem atribuo ter sobrevivido às torturas, pois graças à leitura de Memórias do Cárcere nas vésperas da prisão tive um comportamento adequado.), Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Darcy Ribeiro. Mas também: Gregório de Matos Guerra. Entre os latino-americanos: Gabriel Garcia Marquez, Eduardo Galeano, Ciro Alegria, Juan Rulfo, Jorge Luis Borges etc. Teatrólogos: Brecht, Meyerhold, Maiakóvski, Gorki, Peter Brook, Ariane Mneouchkine, os teatros tradicionais de modo geral etc. Mestres tradicionais: Sebastião Cosmo, Aldenir Callou, Manoel Ramos, Manoel Torrado, Biu Alexandre, Apolônio Melônio, João de Cristo Rei etc. Ainda: Joseph Campbell, Iung, Levi Strauss, Fritjof Capra. E mais: Van Gogh, Picasso, Portinari, Glauber Rocha etc.

Alexandre Lucas - Como você vê a relação entre arte e política?

Oswald Barroso - Se a gente fala de política no sentido de que “o homem é um animal político” (nesse sentido, aliás, todo animal é político, porque disputa território), então a política sendo uma dimensão do humano é, por consequência, uma dimensão da arte. É inquestionável que toda obra artística, sendo expressão do ser total, que por isso mais que qualquer outra manifestação do espírito humano implica subjetividade, traz em si uma visão de mundo expressa pelo autor e lida de algum modo pelo receptor. Arte sem significado, sem posicionamento sobre a realidade, sem tomar partido, não é arte, está mais para enfeite, arabesco, confeito e olhe lá.

Alexandre Lucas - O que é arte engajada para você?

Oswald Barroso - Pra mim, portanto, toda arte é engajada. Agora o artista escolhe em que causas engajar sua arte. Hoje, a maioria prefere engajar em campanhas comerciais. Vender o laptop da Xuxa, o tênis da Adidas e outros produto tais, como nas novelas e nos especiais de Natal da Globo. Mas uns preferem engajar em campanhas de caridade, outros em campanhas de saúde pública, usar camisinha, ou de incentivo ao pagamento de impostos etc. Alguns em campanhas de conscientização política, como os CPCs da UNE, ou o Teatro do Oprimido do Boal. Outros ainda em campanhas eleitorais para determinados candidatos. Outros, pelo contrário, em mostrar que a arte é biscoito fino para poucos eleitos e não diz respeito às massas, por isso deve ser financiada pelo governo. Aqueles mais conscientes, neste último caso, se contentam com a compra de suas obras por milionários. E assim vai. Cada um escolhe seu engajamento.

Alexandre Lucas - Qual o papel social do artista?

Oswald Barroso - Nas sociedades paleolíticas todas as pessoas fazem arte. Entre os índios brasileiros, por exemplo, isto acontece, e é muito bom. Não se distingue o artista. No neolítico aparece o artista, como artífice. É quando a arte se distingue entre os outros ofícios. Aparecem as várias artes de ofício. O papel do artista, então, é trabalhar para a sociedade, atender a demanda da sociedade. Penso que este deve ser seu papel social até hoje, o de um trabalhador para o bem da sociedade, ou seja, atender à demanda social. Agora, ele deve saber para quem trabalha. Se para o Rei, como os atores da comedia del’arte, ou para o populacho, como os jograis e saltimbancos? No caso, se para os empresários e banqueiros, ou para o povo e os movimentos populares? Eu gosto muito de trabalhar para os assentados (como fiz no projeto sertão da tradição), as dramistas (como no projeto dramas do litoral leste), os romeiros, os sem-terra, os sem-teto etc., mas trabalho também para algumas editoras ou instituições públicas, que não me cerceiem a liberdade de expressão. Quase sempre trabalho sob demanda. Por minha iniciativa mesmo tenho trabalhado pouco. Falta tempo, embora não falte planos.

Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Oswald Barroso - Acho que tenho contribuído para dar visibilidade à cultura popular do Ceará, principalmente aos reisados e às romarias, mas também ao artesanato. Isso não é pouco ao se levar em conta que a elite do Ceará, especialmente, sempre deu às costas ao seu povo. Quando eu nasci, nossa elite ainda estava no auge de uma cruzada para “civilizar” o Estado, lutando para fazer desaparecer tudo quanto é traço de cultura indígena e africana do nosso cotidiano. Esse horror ao popular ainda é muito forte na Fortaleza do Leste, que se espelhava em Londres e Paris, depois em Miami e agora em Dubai (embora ainda haja quem vá à Disney). No teatro, tenho tentado mostrar que temos referência para construir uma linguagem cênica nossa, original, sem copiar o estrangeiro ou o sul maravilha.


Alexandre Lucas - Você deu uma grande contribuição para a pesquisa científica no processo de redescobrimento, registro e discussão sobre as manifestações da “cultura do povo”no Estado do Ceará ?

Oswald Barroso - Tenho muitos motivos de orgulho na vida, um deles é ser doutor em reisado e outro é ser cidadão honorário de Juazeiro do Norte. Já viajei por todos os 184 municípios do Ceará, vários distritos e inúmeras localidades de muitos deles. Dezenas, visitei várias vezes. Outros, dezenas de vezes, como Juazeiro do Norte. Nestas pesquisas, o que eu fiz foi ouvir histórias. Eu sempre viajei para colher boas histórias. Não eram pesquisas científicas propriamente ditas. Não acredito em ciência objetiva, em conhecimento objetivo. Trabalhei inicialmente como repórter de O Povo. Vivia viajando por Fortaleza, desde o centro até a periferia, e pelo interior do Estado, entrevistando gente, colhendo boas histórias e dando a elas a forma da minha arte.
Depois inventei de ser pesquisador, trabalhando na Secult e, em seguida na Universidade, onde continuei fazendo o mesmo, colhendo mitos, lendas, histórias de trancoso, de mistério, do arco da velha, de lutas populares, de assombração, dramas pessoais, aventuras, poesia que eu via, ouvia, imaginava, vivia. Às vezes, essas histórias eu resolvia viver eu mesmo, me aventurava, para depois escrever, desenhar, reviver. Vivenciei muitas das peripécias que conto. É bom porque a gente não perde um detalhe. Almanaque Poético é um livro assim.

Alexandre Lucas - O que representou e representa para você o trabalho de pesquisa?

Oswald Barroso - É uma forma de viver, uma razão para caminhar, a busca de um mistério, a tentativa de compreender o mundo ou talvez apenas de viver de uma maneira desafiadora e prazerosa.
É também a fonte de toda a minha criação e imaginação. Nenhuma imaginação solitária é mais poderosa do que a imaginação do inconsciente coletivo.

Alexandre Lucas - Fale dessas pesquisas?

Oswald Barroso - Embora já conhecesse a cultura popular desde menino, da feira do Ipu, onde eu passava as férias, e da periferia do grande Recife, onde vivi na clandestinidade, foi numa romaria ao Juazeiro do Norte que se deu meu grande alumbramento. Daí começaram as pesquisas sobre os mistérios do povo romeiro: cordelistas, xilógrafos, imaginários, profetas, beatos, conselheiros, cantadores, mestres de reisado, santos etc. Aprendi que há uma religião que não é o ópio do povo mas que é dele, nascida de sua alma e por seu espírito alimentada e passei a querer desvendar sua lógica e seus mistérios. Participei de pesquisas seguidas: Artesanato Cearense, Literatura de Cordel, Reis de Congo e Reis de Bailes, Caminhos de São Francisco, Atlas da Cultura Cearense, Festas Populares do Ceará, Memória do Caminho, Sertão da Tradição, Terreiro da Tradição, Mãos Preciosas, Dramas Populares do Litoral Leste, Reis Assentados, Guia Turístico do Ceará, Máscaras Brincantes etc. Como jornalista, escrevi mais de 400 textos, entre artigos e reportagens, a maioria dos quais versando sobre assuntos da cultura cearense. Uma parte das histórias colhidas ainda não foram processadas e outra parte, mesmo transfiguradas, ainda não foram publicadas.

Alexandre Lucas - Como você analisa a nova conjuntura para as políticas públicas para cultura no país?

Oswald Barroso - Penso que os pontos altos do Governo Lula foram as políticas externa e cultural. Gilberto Gil incluiu o Brasil e sua diversidade cultural na ação do Minc., além de solidificar uma prática de editais. Juca foi adiante e queria modificar a Lei Rouanet, assim como a Lei de Direitos Autorais. A nomeação da nova Ministra da Cultura Ana Holanda foi uma reivindicação da elite do Rio-São Paulo que se opõe a esse caminho. Ela surge como representante do pessoal que quer um ministério para os artistas midiáticos e para a indústria cultural. Em compensação, acabo de saber da nomeação do Francisco Pinheiro para a Secult Ce., fato que aponta em sentido contrário, ou seja, para uma política de cultura ampla e diversificada.

Alexandre Lucas - Nas sociedades primitivas a arte não se separava da vida. Você acredita na necessidade deste reencontro arte-vida?

Oswald Barroso - Com certeza, penso que caminhamos para um novo projeto civilizatório onde não apenas a arte se desfragmente, refundindo-se em suas diferentes linguagens, como se reintegre à vida, de tal modo que desapareça, até mesmo, a palavra arte, porque tudo será arte. Como fazem os índios, que dedicam a vida, integralmente, a encher de beleza o universo.

Alexandre Lucas - Qual a importância dos Coletivos de artistas dentro da produção estética e artística?

Oswald Barroso - É total, porque os grandes movimentos artísticos, a melhor arte, embora haja o talento individual, sempre é produção da coletividade. As grandes escolas, os grandes estilos, as grandes criações, o grande saber, o grande fazer artístico é coletivo. O gênio só brota no coletivo. O talento individual precisa de terreno propício para florescer. Nas culturas tradicionais isto é muito evidente.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Geraldo Júnior


Geraldo Junior – Música Cariri

Nosso "caboclo de asas" caririense


...Afirma a tradição que o Cariri era o território mítico de Badzé - o deus do fumo e civilizador do mundo. No principio era a Trindade: Badzé era o Grande - Pai. Poditã era o filho maior e Warakidzã (senhor do sonho), o filho menor...


A região do Cariri cearense é um oásis, o verde coração do semi-árido nordestino, com uma grande quantidade de grupos e mestres de cultura popular tradicional; Reisados, lapinhas, pastoris, bandas cabaçais, forró pé-de-serra, maracatu, coco, maneiro-pau, embolada e cantoria. Centro geográfico com eqüidistância para as principais capitais do Nordeste, desde meados do século XVII até os dias de hoje, continuam a chegar multidões sertanejas, em um fluxo constante, atraídas pela fertilidade e pela sagração do território como espaço mítico.

Rosemberg Cariry


O trabalho do cantor e compositor Geraldo Júnior desenvolve-se nesse contexto como um aglutinador das artes populares, utilizando elementos tradicionais como ferramenta para fundir e resignificar todas essas linguagens através de uma leitura contemporânea.

A misticidade que gira em torno do imaginário popular, é apresentada nos diversos aspectos que envolvem o espetáculo, performances munidas de figurino característico que representam suas tradições, lendas, folguedos, história e personagens locais.

 

 

Warakidzã – Senhor do Sonho


Seguindo numa trajetória evolutiva, desde o “Dr. Raiz” - 2005 e “Calendário (O Tempo e o Vento)” – 2007, sempre processando e assimilados outras influencias a partir da sua identidade cultural, o cantor e compositor Geraldo Junior em seu novo show e álbum homônimo, “Warakidzã – Senhor do Sonho” - 2010, apresenta-se maduro e equilibrado entre todas as suas mais diversas e contrastantes influencias, que vão desde as tradicionais até as mais contemporâneas.

A formação da banda conta com teclado, bateria e guitarras, alem da sanfona, viola, rabeca, flautas e percussões. Timbres e efeitos sugerindo um clima um tanto psicodélico.

No repertório, canções inéditas que estão sendo gravadas, músicas do Dr. Raiz e do Calendário, canções de compositores da região como: Patativa do Assaré, Abdoral Jamacaru, Luiz Fidélis, Dudé Casado e Ermano Morais, e ainda, a referencia às músicas dos grupos de cultura popular tradicional. Com performances de teatro e dança entremeando as músicas tudo isso com os arranjos da nova formação do grupo.


Histórico

Em sua trajetória ganhou festivais e apresentou-se em várias regiões do país:

 

CEARÁ – SESC's Juazeiro do Norte, Crato, Sobral, Aquiraz e Fortaleza (Emiliano Queiroz); Mostra SESC Cariri de Cultura; Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura; Teatro José de Alencar; V Bienal Internacional do Livro; Festa de Santo Antônio de Barbalha; Circuito Cultural Banco do Brasil; XV Cine Ceará; Circuito Ceará de Cultura; Encontro de Mestres do Mundo e Festival de Teatro de Guaramiranga;

ALAGOAS – Maceió FEMUSESC (Mostra de música do SESC Alagoas);

PARAÍBA – Cajazeiras UFPB (Universidade Federal da Paraíba) e Campina Grande UEPB (Universidade Estadual da Paraíba);

PERNAMBUCO – Recife Carnaval Multicultural e Bodocó Festa de São José;

PIAUÍ – Teresina ”Armazém de Todos os Sertões“, Festival “O Sertão Vai Virar Mar” e Festival T.H.E Music;

SÃO PAULO – SESC Ipiranga e SESC Pompéia (Prata da Casa);

PARANÁ – Maringá FEMUCIC (Festival Musical de Cidade Canção);

MATO GROSSO – Cuiabá ENEL (Encontro Nacional dos Estudantes de Letras) na UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso);

MINAS GERAIS – Ouro Preto e Mariana (Festival de Inverno de Ouro Preto) e Juiz de Fora (Corredor Cultural);

RIO DE JANEIRO – SESC Nacional, ESEM – Escola SESC de Ensino Médio, SESC Tijuca, SESC Nova Iguaçu, Teatro Nelson Rodrigues – Caixa Cultura, Clube dos Democráticos, Lapa 40°, Rio Scenarium, Livrarias Saraiva, Circuito Cultural Mercado do Peixe, Teatro SESI/SENAI de Jacarepaguá e Circo Voador.


Músicos


Geraldo Junior: Voz, flauta, trompete, percussão e performances

Beto Lemos: Violão, viola, rabeca, violoncelo e vocal

Gabriel Pontes: Sax tenor, soprano, flauta e vocal

Ranier Oliveira: Sanfona, piano e vocal

Eduardo Karranka: Guitarras e vocal

Filipe Muller: Violão, baixo e vocal

Francisco Gomide: Percussão

Cláudio Lima: Bateria e vocal


Produção Geraldo Junior

55 (21) 8250 8346/ 55 (21) 3546 6108

producaogeraldojunior@gmail.com

www.geraldojunior.com.br

Rio de Janeiro – RJ

Brasil

 

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Cleivan Paiva


"Cleivan Paiva é de Simões, Piauí. Cearense por destino. Em sua primeira arribada pousou, de viola em punho, no Cariri cearense. Em Crato, início dos anos setenta, uniu-se a poetas do Grupo de Artes Por Exemplo-principalmente ao poeta Rosemberg Cariry. Nasceram as primeiras parcerias e vieram os tempos dos "Ases do Ritmo", grupo local de bailes, e as apresentações, como compositor, no movimento artístico da região. No violão e na guitarra, Cleivan tecia o fio de sua trajetória musical. Tudo lá, registrado no seu fraseado: do toque seresteiro-herança paterna- à batida de bossa nova; do ponteio da viola de feira àquela escala ao modo de um velho blue; beatlemania, bandas cabaçais, jovem-guarda, rodas de maneiro-pau e tropicália; balacubaco geral que o artista mais atento e inquieto incorpora sem copiar e devolve sob a forma de composições de extrema originalidade. Tudo, enfim, sem render-se aos modismos das chamadas "indústrias de cultura". "Guerra e Paz" é isto aí: uma mostra da materialização dessa longa trajetória sonora, vivenciada na geografia de díspares regiões. Nos anos 70, Cleivan formou, ao lado de Bá Freire, Isânio Santos, Audizio (Tapioca) e Bill Soares (ex- Papa Poluição) - o Ave de Arribação. O grupo arribou mesmo e, fatalmente, atuou em São Paulo; shows no metrô, nas praças e nos teatros da periferia. Quando desfeito, seus integrantes buscaram outros rumos musicais. Cleivan fez (faz) de tudo no ramo; desde gravações, como acompanhante em estúdios, até apresentações em casas noturnas. Também atuou em festivais: na Tupi classificou "Perímetro Urbano" (Nota: Na ocasião defendida por Marku Ribas) , incluída nesse disco (nele rende tributo a Victor Assis Brasil, tocando-a com arranjo do genial saxofonista). Antes disso, participou do Festival Universitário de SãoPaulo, com trabalhos de parceria com Rosemberg Cariry e Ivan Alencar. Conhecíamos Cleivan através de inúmeras fitas que caíam em nossas mãos, neste circuito ultramarginal, revelador das mais ricas reservas musicais que não estão no mercado. Mas, por aí a obra fica escondida e só os mais chegados tem o privilégio de ouvi-la. É necessário, então, romper o cerco imposto pela indústria fonográfica multinacional, aliada a certos impérios da comunicação vendidos aos seus interesses. E pinta o inevitável disco independente ou alternativo. Guerra e Paz é mais um nesta desigual batalha contra os "gigantes" que anunciam um certo "marasmo cultural"no atual momento brasileiro e tiram do colete rendosos modismos musicais que vem "salvar"o país desta suposta indigência criativa . Toda esta farsa se passa na terra de Vandré, Hermeto, Elomar, Cego Oliveira e Chico Maranhão; isto sem falar em tantos outros músicos e compositores de extraordinário talento que só tem suas canções registradas nos cassetes da vida. São os passageiros daquele trem que avança, conforme escreveu Marcus Venícius, "sem chegar a nenhuma estação/de rádio/sem fazer nenhuma parada/de sucesso!" Até quando permanecerá este boicote contra a mais legítima música popular brasileira ? Sabemos apenas que é preciso teimar na resistência, na lutra contra este imperialismo cultural."




Texto de Firmino Holanda escrito em 1984. Atualmente Cleivan Paiva mora no Crato, CE.


Dihelson Mendonça



Em uma carreira musical de mais de 30 anos devotada à música, e considerado um dos grandes pianistas Brasileiros, o tecladista/arranjador/compositor Dihelson Mendonca, nascido em Crato-CE em 1966, já demonstrou o seu talento, tocando lado a lado com os maiores nomes da música Instrumental brasileira, tais como: Hermeto Pascoal, Gilson Peranzzetta, Mauro Senise, Arismar do Espírito Santo, Luciano Franco, Toninho Horta, Vinícius Dorin (Saxofonista), André Marques, Itiberê Swarg (Baixista) , Márcio Bahia (Baterista), Beto Batera ( Irmão do Carlos Bala - baterista ), Carlinhos Patriolino, Márcio Resende, Nenê (Baterista), Fátima Santos (cantora), Lia Chaves (cantora), João Senna ( Sax ), Ricardo Júnior (Pianista e Arranjador da cantora Dóris Monteiro), Cleivan Paiva (Guitarrista com quem mantém um dueto de Jazz), dentre muitos outros. Enormemente aclamado por onde tem passado, Dihelson Mendonca possui um estilo eclético e virtuoso, que de imediato cativa a platéia. Compositor de cunho erudito e profundo pesquisador da música pianística, considera-se principalmente um pianista de Jazz, embora em seus concertos, execute frequentemente obras eruditas, de Bach à Stravinsky, e em especial, Frederic Chopin.



FORMAÇÃO MUSICAL
Dihelson Mendonça iniciou seus estudos de piano clássico na Sociedade de Cultura Artística de Crato-CE ( SCAC ), com a professora Diana Pierre no início dos anos 80. Com raro talento, dsenvolveu rapidamente, e aprendeu a tocar em apenas 3 anos de estudo, peças de enorme dificuldade técnica. Concentrou-se nos românticos, principalmente Chopin. A descoberta do Jazz deu-se por essa época, (1982) ao descobrir por um acaso, um disco do pianista Oscar Peterson, gravado pela “Rádio Canadá Internacional”. “Depois disso nada foi como antes!”, afirma o músico. Em seguida iniciou-se uma grande peregrinação para compreender a sua nova paixão: O JAZZ ! Pelo fato de em sua cidade natal as possibilidades de estudo de Jazz eram escassas, resolveu estudar por conta própria todo o tipo de material relacionado ao estilo, desde trascrições que fazia à partir de discos e fitas, a livros variados e revistas sobre Jazz, como a DownBeat.



Por volta de 1984, chegou a cursar a Universidade Federal da Paraíba, no curso de Engenharia Eletrônica em Campina Grande, mas, o seu amor pela música tocou mais alto, e Dihelson abandonou sua futura carreira de Engenheiro Eletrônico para se dedicar exclusivamente ao Piano. Nessa época, já com sólido embasamento musical e sob influência de músicos modernos como Chick Corea, Bill Evans e Keith Jarrett, formou com o guitarrista paraibano Jocel Fechine e mais quatro integrantes, o seu primeiro sexteto, do qual participaram alguns dos maiores nomes do Jazz do nordeste: Jocel Fechine à guitarra, Fernando Rangel baixista ( músico renomado, e hoje, integrante do grupo Contrabanda do Recife), Fernando trompete, Sérgio Manfredo ao Saxofone, e o grande baterista Giovanni. Esse grupo foi a "sensação" do departamento de Artes DART da UFPB em Campina Grande em 1985/86 onde realizava seus periódicos concertos.



Ainda por essa época, assombrou os alunos da Universidade Federal da Paraíba em João Pessoa, ao se apresentar com o guitarrista Jocel Fechine num concerto-surpresa. Em Campina Grande, estudou com diversos professores, dentre eles, o Prof. Otávio, que havia sido aluno do grande gênio francês Pierre Boulez, considerado um dos pilares da música moderna do século XX.



À partir de 1986 , abandonou de vez a Universidade e tornou-se autodidata, por achar que as universidades brasileiras não continham o estudo musical de que necessitava. Tratou de continuar a sua peregrinacão intensa por livros, discos, e toda espécie de material de pesquisa de Jazz e música contemporânea que persiste até os dias de hoje. Ainda em 1986, firmou seu “Quartel-General” em Crato, sua terra natal, onde formou o primeiro grupo da região especialmente dedicado ao Jazz: O "Cariri Samba-Jazz Quartet" que foi motivo de várias entrevistas em diversos jornais e revistas cearenses. Após o "CSJQ", Dihelson Mendonça se concentrou em seu aperfeiçoamento musical, como professor de Piano, Harmonia de Jazz e improvisação na “Sociedade de Cultura artística de Crato” (SCAC), em 1987, além de gravações em estúdio. No entanto, nunca interrompeu as suas apresentações para convidados seletos que apreciam a música clássica, ou em festivais de MPB, desde Manaus, a Porto Alegre, onde, em 1991, por ocasião do Festival Nacional dos Economiários, participando como arranjador numa música da autoria de Pachelly Jamacaru, o fez ganhar o prêmio de melhor arranjo do festival. Em Porto Alegre, se apresentou informalmente na conceituada sala Tom Jobim, para um público seleto, que o aplaudiu veementemente, então com 24 anos de idade. Em 1989, apresentou-se em Fortaleza com os excelentes músicos Brasileiros Gilson Peranzzetta, e Mauro Senise, que já lhe advertiam de que deveria deixar o Ceará o quanto antes e fazer vôos mais altos, coisa que sempre recusou a fazer.

FONTE: http://dihelson.blogspot.com/
Dihelson Mendonça é Pianista, arranjador, Compositor, Fotógrafo, Videomaker, webdesigner, além de inúmeras outras atividades. Reside atualmente em Crato-CE, onde mantém um grande estúdio de produções audio-visuais, e de onde mantém diversos websites dedicados à promover a Música Instrumental Brasileira, o Jazz, e a música Clássica. Como músico profissional há 20 anos, tem viajado pelo mundo, divulgando a sua arte e sua região, e procurado promover os grandes valores da arte e da cultura. Criador do Blog do Crato, o maior website da região, com mais de 50 escritores e milhares de artigos e membros. Embora sua principal paixão seja o seu Piano, Dihelson Mendonça é artista de múltiplos talentos. Tem se dedicado com grande empenho à arte da fotografia e do vídeo. Atualmente produz vários documentários e CDs em seu estúdio. Dihelson Mendonça é Pianista, arranjador, Compositor, Fotógrafo, Videomaker, webdesigner, além de inúmeras outras atividades. Reside atualmente em Crato-CE, onde mantém um grande estúdio de produções audio-visuais, e de onde mantém diversos websites dedicados à promover a Música Instrumental Brasileira, o Jazz, e a música Clássica. Como músico profissional há 20 anos, tem viajado pelo mundo, divulgando a sua arte e sua região, e procurado promover os grandes valores da arte e da cultura. Criador do Blog do Crato, o maior website da região, com mais de 50 escritores e milhares de artigos e membros. Embora sua principal paixão seja o seu Piano, Dihelson Mendonça é artista de múltiplos talentos. Tem se dedicado com grande empenho à arte da fotografia e do vídeo. Atualmente produz vários documentários e CDs em seu estúdio. Seu site oficial: www.dihelson.com