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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Nívia Uchôa - O cotidiano como uma poética de luz, Por:Alexandre Lucas


Uma série de entrevistas com artistas, produtores e gestores culturais serão realizadas pelo Coletivo Camaradas e disponibilizada para blogs e sites. A série entrevistará nomes como Jorge Mautner, Oswlad Barroso, Vitória Regia Turin, Lula Gonzaga, Hamurabi Batista, Augusto Bitú, Norma Paula, Alexandre Santini, Marlon Torres. A série inicia entrevistando Nívia Uchôa.
Nívia Uchôa tem um trabalho que vem sendo reconhecido nacionalmente, com uma poética própria e cheia de luz, a artista consegue a partir cotidiano das camadas populares criar poesias visuais com a sua fotografia. Natural de Aracati, mas desde a infância reside no Cariri do Ceará.

Alexandre Lucas - Quem é Nívia Uchôa?

Nívia Uchôa - Fotógrafa há 16 anos, com pesquisa etnográfica e antropológica na Região do Cariri, Ceará e no Brasil com uma documentação sobre relação do ser humano com água com projeto Água Pra que te quero! Formação acadêmica Geografia e atualmente sou professora substituta de Fotografia e Cinema da Universidade Regional do Cariri URCA na Escola de Artes Violeta Arraes. Fundadora do grupo de fotografia POESIA DA LUZ

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?


Nívia Uchôa - Quando iniciei minha carreira em 1994, meu trabalho já veio carimbado com um olhar artístico, pois minha estética já se consolidava com uma busca pelo meu olhar autoral, pelo meu traço.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Nívia Uchôa - História da Fotografia , na fotografia Contemporânea, cinema e pintura e a teoria quântica, mas, tenho influencias da fotografia do Cartier Bresson, Sebastião Salgado, Tina Modotti, Celso Oliveira, Tiago Santana, João Roberto Ripper, Cristiano Mascaro, Maureen Brisilliat, Frederico Fellini, Akira Kurosawa, Michelangelo Antoinioni, Glauber Rocha, aqui no Cariri, tenho influencias da profusão artística, do artesanato, da cultura da tradição oral, da pintura do Luis Karimai, do fotografo Gilberto Morimitsu e da influencia do cotidiano desses lugares cheios de identidade e polissêmicos.

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Nívia Uchôa - Penso que ainda falta mais esforço para que ambas dialoguem com mais freqüência, o artista não pode ficar distante da política e ou vice versa, a política ainda é vista como clientelista, ou melhor, ela ainda é clientelista, dai dificulta fazer a arte e política andarem mais próximas, pelo menos eu não me utilizo dela para minha arte. Mais em nível universal várias vertentes políticas pensam a arte.


Alexandre Lucas - O que representa a fotografia na sua vida?

Nívia Uchôa - Luz, sobretudo vida, não viveria longe da fotografia, da luz que a faz ser. Não seria Nívia Uchôa se não fosse à fotografia, não conduziria meu caminho com tranqüilidade se não fosse a fotografia. Fotografia é o alimento da minha alma.

Alexandre Lucas - Você tem um trabalho de militância política na área da cultura. Isso reflete na sua produção estética e artística?

Nívia Uchôa - Minha militância é mais pelo trabalho e a produção de uma coletividade no mundo da arte, pois penso que sem esse olhar mais coletivo, seremos seres cada vez mais individualistas, a arte é como a água tem para todos e todas, se essa fonte secar sofreremos com isso, quanto a saber se isso reflete em minha produção estética e artística, nunca parei para pensar sobre isso, pois por mais que falo em coletivo, ainda tenho um trabalho solitário, as pessoas não gostam de trabalhar juntas, elas acham que vamos roubar suas idéias e seus ideais, mas, como tenho um traço próprio, não tenho medo de que me roubem, pois não tem como roubar a luz que vejo, a luz que recorto da realidade, essa que nos segue e persegue em um piscar de olhos.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Nívia Uchôa - Bom, fiz vários trabalhos, mas, citarei aqui os que me deram prazer em realiza-los. Fotografar Juazeiro do Norte-Ce esse faço naturalmente em meu cotidiano, em 1997 fiz um trabalho com um amigo Antonio Vargas, fomos fotografar a rampa de lixo de Jangurussu em Fortaleza-CE, trabalho esse que me emocionou profundamente pela forma que essas pessoas viviam literalmente no lixo, esse trabalho foi exposto na UFC, Grenoble, Paris, Bruxelas, Lion. Em 2000 fiz uma exposição que a Dodora Guimães curadora da exposição, intitulou de Gentes do Cariri, foi com esse trabalho que fiquei conhecida no Ceará, o qual pude expor no Palácio da Abolição no Centro de Artes Visuais Raimundo Cela em Fortaleza, em 2005, 2006 e 2007 fiz um trabalho para a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará sob a gestão da Cláudia Leitão e pude viajar o Ceará quase todo, isso me rendeu algumas publicações entre elas Memória do Caminho do Oswald Barroso e o Guia Turístico Cultural do Estado. Iniciei minha trajetoria no audiovisual e cinema realizando alguns curtas como Adeus meu bem, Catadores de Piqui, Quarta Parede, Quero viver igual a um beija-flor. Em 2010 participei de uma coletiva de 30 anos de Fotografia da Curadora Rosely Nakagawa nos Centros Culturais Caixa Economica Brasilia, São Paulo, Salvador e Curitiba, na ocasião tive a oportunidade de esta ao lado dos grandes fotografos brasileiros Cristiano Mascaro, Thomaz Farkas, Mário Cravo Neto, Pedro Karp Vasquez, Luiz Braga, Celso Oliveira, Tiago Santana, Guy Veloso, entre outros famosos no universo da fotografia brasileira e finalmente um trabalho que me consolido através da antropologia visual, meu mais novo trabalho intitulado Água pra que te quero! Esse esta em fase de conclusão e conto a história de 3 bacias hidrográficas do estado do Ceará através da imagem e de uma pesquisa que fiz com uma equipe em 2 anos. Esse trabalho será lançado em março e constará de um livro e um vídeo onde conto a relação do ser humano com água. E por fim faço parte atualmente da Rede de Produtores de Fotografia no Brasil o qual realiza várias atividades no campo da produção da fotografia brasileira como realizadores, agitadores culturais e comunicadores.

Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?
Nívia Uchôa - Penso que a fotografia está além de tudo a serviço do social, devemos mostrar nosso universo de cotidiano através das imagens, sobretudo quando devemos e podemos relatar a arte através dele. A imagem fotográfica DIZ e com isso ela pode denunciar, conduzir, salvar, ela nos faz acreditar ser ela própria sem nada esconder, a fotografia esta além do que se pode imaginar, ela diz por si só.

Alexandre Lucas - Você acredita que a Academia elitiza a arte?

Nívia Uchôa - Bem, penso que arte se auto-elitiza, a academia ensina arte como está nos livros, à arte esta desde seu inicio, desde quando o ser humano pode se comunicar, arte pela academia é conceito.

Alexandre Lucas - Quando a arte humaniza?


Nívia Uchôa -
Quando ela sai da individualidade e mostra seu lado coletivo, quando ela não cai no amadorismo, mas, quando ela busca saber, propor, dizer para que ela veio, sair dos conceitos e ir para prática.

Alexandre Lucas - Como você enxerga os coletivos de artistas?

Nívia Uchôa - Penso que ainda estamos muito atrasados aqui no Cariri, mas nacionalmente e mundialmente temos vários coletivos. A idéia de se coletivizar é bem interessante, pois precisamos do olhar dos outros para produzirmos e assim saber quem somo nós.

Alexandre Lucas - Como você ver atuação do Coletivo Camaradas e qual a sua relação com esse grupo?

Nívia Uchôa - Vejo com uma força grande, mudou muito aqui em nossa região, o Coletivo Camaradas pensa a arte e a política, pensa os trabalhos a parir de um todo. Minha relação com o Coletivo ainda não é de uma total militância por conta da minha agenda que tem sido intensa, mas, quero e posso me dedicar muito mais.

Oswald Barroso - O desbravador da história popular do Ceará, Por:Alexandre Lucas





Se os bandeirantes estiveram a serviço do Rei, Oswald que é de outro tempo esteve a serviço das camadas populares, descobrindo e esculpindo a história do povo do Ceará pisoteada pelas elites econômicas. Entre travessias e encruzilhadas percorreu os 184 municípios cearenses para transformar em arma emancipatória a história e a arte do seu povo.


Alexandre Lucas - Quem é Oswald Barroso ?

Oswald Barroso - É um multi-artista pesquisador que tem procurado se dedicar à causa dos oprimidos, atuando como uma espécie de griô, ou um exu, como queiram, sempre em travessias e encruzilhadas: vendo, ouvindo, sentindo a vida popular, traduzindo estas vivências em formas artísticas, para difundi-las em novos caminhos. Comecei com desenho, pintura e poesia. Depois desenvolvi um bom trabalho como letrista e cheguei mesmo a tentar ser músico. Até que me fixei no teatro e fiz ainda muitos vídeos documentários, chegando mesmo a gravar uma experiência em ficção, O Filho do Herói, para a TV Educativa, atual TVC. Hoje gosto também de fotografar, como uma forma de anotação etnográfica. No teatro, passei 18 anos no Grita, 10 no Boca Rica e agora estou do Teatro de Caretas. Fiz de tudo, trabalhei como ator, diretor, dramaturgo sempre, cenógrafo, iluminador etc. No jornal, fiz reportagem, ensaios e crítica de arte e, na universidade, ensino música nas tradições populares, estética, cultura brasileira e antropologia da arte. Admiro o homem renascentista, que transitava entre artes, saberes e culturas sem a menor cerimônia. Quem sabe estejamos retomando esse caminho.

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Oswald Barroso - Em 1964, depois que um acidente de trânsito encerrou minha carreira de atleta. Eu tinha 16 anos e havia sido convocado para a seleção cearense de vôlei. Uma camionete rural partiu minhas duas pernas, fraturas expostas, e mudou meu destino. Passei mais de um ano acamado e outro ano em tratamento hospitalar no Rio de Janeiro. Foi a oportunidade de conhecer toda a literatura brasileira, principalmente a poesia, e muito do modernismo europeu. Eu lia, escrevia e desenhava sem parar. No Rio de Janeiro, onde passei o ano de 1965, entre uma internação e outra no hospital, freqüentei a vida cultural da cidade: museus, bibliotecas, cinemas, shows, festivais. Voltei muito informado à Fortaleza. Já em 1966, no Colégio São João, me liguei ao grêmio e formamos um grupo de estudos marxistas. No ano seguinte, descobrimos articulações com o pessoal de esquerda, não só com o movimento estudantil, mas com o movimento popular, pescadores e operários de fábrica, no caso, porque eram eles que a gente queria retratar em nossa arte.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Oswald Barroso - No início por influência do meu pai, poeta modernista, que colocou meu nome em homenagem a Oswald de Andrade, foram os poetas modernistas brasileiros: o próprio Oswald, Mário, Carlos Drummond, Vinícius de Morais, Manoel Bandeira, Solano Trindade, com destaque João Cabral (considero Morte e Vida Severina o maior texto dramático brasileiro), os cearenses, principalmente: Antônio Girão, Aluízio Medeiros e Jáder de Carvalho. Entre meus professores: André Hagüette, Francisco Alencar e Diatahy Bezerra de Menezes. Entre amigos de geração, parceiros, me influenciaram diretamente: Adriano Espínola e Rosemberg Cariry. Dos romancistas e intelectuais brasileiros: Graciliano Ramos (à lucidez de quem atribuo ter sobrevivido às torturas, pois graças à leitura de Memórias do Cárcere nas vésperas da prisão tive um comportamento adequado.), Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Darcy Ribeiro. Mas também: Gregório de Matos Guerra. Entre os latino-americanos: Gabriel Garcia Marquez, Eduardo Galeano, Ciro Alegria, Juan Rulfo, Jorge Luis Borges etc. Teatrólogos: Brecht, Meyerhold, Maiakóvski, Gorki, Peter Brook, Ariane Mneouchkine, os teatros tradicionais de modo geral etc. Mestres tradicionais: Sebastião Cosmo, Aldenir Callou, Manoel Ramos, Manoel Torrado, Biu Alexandre, Apolônio Melônio, João de Cristo Rei etc. Ainda: Joseph Campbell, Iung, Levi Strauss, Fritjof Capra. E mais: Van Gogh, Picasso, Portinari, Glauber Rocha etc.

Alexandre Lucas - Como você vê a relação entre arte e política?

Oswald Barroso - Se a gente fala de política no sentido de que “o homem é um animal político” (nesse sentido, aliás, todo animal é político, porque disputa território), então a política sendo uma dimensão do humano é, por consequência, uma dimensão da arte. É inquestionável que toda obra artística, sendo expressão do ser total, que por isso mais que qualquer outra manifestação do espírito humano implica subjetividade, traz em si uma visão de mundo expressa pelo autor e lida de algum modo pelo receptor. Arte sem significado, sem posicionamento sobre a realidade, sem tomar partido, não é arte, está mais para enfeite, arabesco, confeito e olhe lá.

Alexandre Lucas - O que é arte engajada para você?

Oswald Barroso - Pra mim, portanto, toda arte é engajada. Agora o artista escolhe em que causas engajar sua arte. Hoje, a maioria prefere engajar em campanhas comerciais. Vender o laptop da Xuxa, o tênis da Adidas e outros produto tais, como nas novelas e nos especiais de Natal da Globo. Mas uns preferem engajar em campanhas de caridade, outros em campanhas de saúde pública, usar camisinha, ou de incentivo ao pagamento de impostos etc. Alguns em campanhas de conscientização política, como os CPCs da UNE, ou o Teatro do Oprimido do Boal. Outros ainda em campanhas eleitorais para determinados candidatos. Outros, pelo contrário, em mostrar que a arte é biscoito fino para poucos eleitos e não diz respeito às massas, por isso deve ser financiada pelo governo. Aqueles mais conscientes, neste último caso, se contentam com a compra de suas obras por milionários. E assim vai. Cada um escolhe seu engajamento.

Alexandre Lucas - Qual o papel social do artista?

Oswald Barroso - Nas sociedades paleolíticas todas as pessoas fazem arte. Entre os índios brasileiros, por exemplo, isto acontece, e é muito bom. Não se distingue o artista. No neolítico aparece o artista, como artífice. É quando a arte se distingue entre os outros ofícios. Aparecem as várias artes de ofício. O papel do artista, então, é trabalhar para a sociedade, atender a demanda da sociedade. Penso que este deve ser seu papel social até hoje, o de um trabalhador para o bem da sociedade, ou seja, atender à demanda social. Agora, ele deve saber para quem trabalha. Se para o Rei, como os atores da comedia del’arte, ou para o populacho, como os jograis e saltimbancos? No caso, se para os empresários e banqueiros, ou para o povo e os movimentos populares? Eu gosto muito de trabalhar para os assentados (como fiz no projeto sertão da tradição), as dramistas (como no projeto dramas do litoral leste), os romeiros, os sem-terra, os sem-teto etc., mas trabalho também para algumas editoras ou instituições públicas, que não me cerceiem a liberdade de expressão. Quase sempre trabalho sob demanda. Por minha iniciativa mesmo tenho trabalhado pouco. Falta tempo, embora não falte planos.

Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Oswald Barroso - Acho que tenho contribuído para dar visibilidade à cultura popular do Ceará, principalmente aos reisados e às romarias, mas também ao artesanato. Isso não é pouco ao se levar em conta que a elite do Ceará, especialmente, sempre deu às costas ao seu povo. Quando eu nasci, nossa elite ainda estava no auge de uma cruzada para “civilizar” o Estado, lutando para fazer desaparecer tudo quanto é traço de cultura indígena e africana do nosso cotidiano. Esse horror ao popular ainda é muito forte na Fortaleza do Leste, que se espelhava em Londres e Paris, depois em Miami e agora em Dubai (embora ainda haja quem vá à Disney). No teatro, tenho tentado mostrar que temos referência para construir uma linguagem cênica nossa, original, sem copiar o estrangeiro ou o sul maravilha.


Alexandre Lucas - Você deu uma grande contribuição para a pesquisa científica no processo de redescobrimento, registro e discussão sobre as manifestações da “cultura do povo”no Estado do Ceará ?

Oswald Barroso - Tenho muitos motivos de orgulho na vida, um deles é ser doutor em reisado e outro é ser cidadão honorário de Juazeiro do Norte. Já viajei por todos os 184 municípios do Ceará, vários distritos e inúmeras localidades de muitos deles. Dezenas, visitei várias vezes. Outros, dezenas de vezes, como Juazeiro do Norte. Nestas pesquisas, o que eu fiz foi ouvir histórias. Eu sempre viajei para colher boas histórias. Não eram pesquisas científicas propriamente ditas. Não acredito em ciência objetiva, em conhecimento objetivo. Trabalhei inicialmente como repórter de O Povo. Vivia viajando por Fortaleza, desde o centro até a periferia, e pelo interior do Estado, entrevistando gente, colhendo boas histórias e dando a elas a forma da minha arte.
Depois inventei de ser pesquisador, trabalhando na Secult e, em seguida na Universidade, onde continuei fazendo o mesmo, colhendo mitos, lendas, histórias de trancoso, de mistério, do arco da velha, de lutas populares, de assombração, dramas pessoais, aventuras, poesia que eu via, ouvia, imaginava, vivia. Às vezes, essas histórias eu resolvia viver eu mesmo, me aventurava, para depois escrever, desenhar, reviver. Vivenciei muitas das peripécias que conto. É bom porque a gente não perde um detalhe. Almanaque Poético é um livro assim.

Alexandre Lucas - O que representou e representa para você o trabalho de pesquisa?

Oswald Barroso - É uma forma de viver, uma razão para caminhar, a busca de um mistério, a tentativa de compreender o mundo ou talvez apenas de viver de uma maneira desafiadora e prazerosa.
É também a fonte de toda a minha criação e imaginação. Nenhuma imaginação solitária é mais poderosa do que a imaginação do inconsciente coletivo.

Alexandre Lucas - Fale dessas pesquisas?

Oswald Barroso - Embora já conhecesse a cultura popular desde menino, da feira do Ipu, onde eu passava as férias, e da periferia do grande Recife, onde vivi na clandestinidade, foi numa romaria ao Juazeiro do Norte que se deu meu grande alumbramento. Daí começaram as pesquisas sobre os mistérios do povo romeiro: cordelistas, xilógrafos, imaginários, profetas, beatos, conselheiros, cantadores, mestres de reisado, santos etc. Aprendi que há uma religião que não é o ópio do povo mas que é dele, nascida de sua alma e por seu espírito alimentada e passei a querer desvendar sua lógica e seus mistérios. Participei de pesquisas seguidas: Artesanato Cearense, Literatura de Cordel, Reis de Congo e Reis de Bailes, Caminhos de São Francisco, Atlas da Cultura Cearense, Festas Populares do Ceará, Memória do Caminho, Sertão da Tradição, Terreiro da Tradição, Mãos Preciosas, Dramas Populares do Litoral Leste, Reis Assentados, Guia Turístico do Ceará, Máscaras Brincantes etc. Como jornalista, escrevi mais de 400 textos, entre artigos e reportagens, a maioria dos quais versando sobre assuntos da cultura cearense. Uma parte das histórias colhidas ainda não foram processadas e outra parte, mesmo transfiguradas, ainda não foram publicadas.

Alexandre Lucas - Como você analisa a nova conjuntura para as políticas públicas para cultura no país?

Oswald Barroso - Penso que os pontos altos do Governo Lula foram as políticas externa e cultural. Gilberto Gil incluiu o Brasil e sua diversidade cultural na ação do Minc., além de solidificar uma prática de editais. Juca foi adiante e queria modificar a Lei Rouanet, assim como a Lei de Direitos Autorais. A nomeação da nova Ministra da Cultura Ana Holanda foi uma reivindicação da elite do Rio-São Paulo que se opõe a esse caminho. Ela surge como representante do pessoal que quer um ministério para os artistas midiáticos e para a indústria cultural. Em compensação, acabo de saber da nomeação do Francisco Pinheiro para a Secult Ce., fato que aponta em sentido contrário, ou seja, para uma política de cultura ampla e diversificada.

Alexandre Lucas - Nas sociedades primitivas a arte não se separava da vida. Você acredita na necessidade deste reencontro arte-vida?

Oswald Barroso - Com certeza, penso que caminhamos para um novo projeto civilizatório onde não apenas a arte se desfragmente, refundindo-se em suas diferentes linguagens, como se reintegre à vida, de tal modo que desapareça, até mesmo, a palavra arte, porque tudo será arte. Como fazem os índios, que dedicam a vida, integralmente, a encher de beleza o universo.

Alexandre Lucas - Qual a importância dos Coletivos de artistas dentro da produção estética e artística?

Oswald Barroso - É total, porque os grandes movimentos artísticos, a melhor arte, embora haja o talento individual, sempre é produção da coletividade. As grandes escolas, os grandes estilos, as grandes criações, o grande saber, o grande fazer artístico é coletivo. O gênio só brota no coletivo. O talento individual precisa de terreno propício para florescer. Nas culturas tradicionais isto é muito evidente.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Geraldo Júnior


Geraldo Junior – Música Cariri

Nosso "caboclo de asas" caririense


...Afirma a tradição que o Cariri era o território mítico de Badzé - o deus do fumo e civilizador do mundo. No principio era a Trindade: Badzé era o Grande - Pai. Poditã era o filho maior e Warakidzã (senhor do sonho), o filho menor...


A região do Cariri cearense é um oásis, o verde coração do semi-árido nordestino, com uma grande quantidade de grupos e mestres de cultura popular tradicional; Reisados, lapinhas, pastoris, bandas cabaçais, forró pé-de-serra, maracatu, coco, maneiro-pau, embolada e cantoria. Centro geográfico com eqüidistância para as principais capitais do Nordeste, desde meados do século XVII até os dias de hoje, continuam a chegar multidões sertanejas, em um fluxo constante, atraídas pela fertilidade e pela sagração do território como espaço mítico.

Rosemberg Cariry


O trabalho do cantor e compositor Geraldo Júnior desenvolve-se nesse contexto como um aglutinador das artes populares, utilizando elementos tradicionais como ferramenta para fundir e resignificar todas essas linguagens através de uma leitura contemporânea.

A misticidade que gira em torno do imaginário popular, é apresentada nos diversos aspectos que envolvem o espetáculo, performances munidas de figurino característico que representam suas tradições, lendas, folguedos, história e personagens locais.

 

 

Warakidzã – Senhor do Sonho


Seguindo numa trajetória evolutiva, desde o “Dr. Raiz” - 2005 e “Calendário (O Tempo e o Vento)” – 2007, sempre processando e assimilados outras influencias a partir da sua identidade cultural, o cantor e compositor Geraldo Junior em seu novo show e álbum homônimo, “Warakidzã – Senhor do Sonho” - 2010, apresenta-se maduro e equilibrado entre todas as suas mais diversas e contrastantes influencias, que vão desde as tradicionais até as mais contemporâneas.

A formação da banda conta com teclado, bateria e guitarras, alem da sanfona, viola, rabeca, flautas e percussões. Timbres e efeitos sugerindo um clima um tanto psicodélico.

No repertório, canções inéditas que estão sendo gravadas, músicas do Dr. Raiz e do Calendário, canções de compositores da região como: Patativa do Assaré, Abdoral Jamacaru, Luiz Fidélis, Dudé Casado e Ermano Morais, e ainda, a referencia às músicas dos grupos de cultura popular tradicional. Com performances de teatro e dança entremeando as músicas tudo isso com os arranjos da nova formação do grupo.


Histórico

Em sua trajetória ganhou festivais e apresentou-se em várias regiões do país:

 

CEARÁ – SESC's Juazeiro do Norte, Crato, Sobral, Aquiraz e Fortaleza (Emiliano Queiroz); Mostra SESC Cariri de Cultura; Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura; Teatro José de Alencar; V Bienal Internacional do Livro; Festa de Santo Antônio de Barbalha; Circuito Cultural Banco do Brasil; XV Cine Ceará; Circuito Ceará de Cultura; Encontro de Mestres do Mundo e Festival de Teatro de Guaramiranga;

ALAGOAS – Maceió FEMUSESC (Mostra de música do SESC Alagoas);

PARAÍBA – Cajazeiras UFPB (Universidade Federal da Paraíba) e Campina Grande UEPB (Universidade Estadual da Paraíba);

PERNAMBUCO – Recife Carnaval Multicultural e Bodocó Festa de São José;

PIAUÍ – Teresina ”Armazém de Todos os Sertões“, Festival “O Sertão Vai Virar Mar” e Festival T.H.E Music;

SÃO PAULO – SESC Ipiranga e SESC Pompéia (Prata da Casa);

PARANÁ – Maringá FEMUCIC (Festival Musical de Cidade Canção);

MATO GROSSO – Cuiabá ENEL (Encontro Nacional dos Estudantes de Letras) na UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso);

MINAS GERAIS – Ouro Preto e Mariana (Festival de Inverno de Ouro Preto) e Juiz de Fora (Corredor Cultural);

RIO DE JANEIRO – SESC Nacional, ESEM – Escola SESC de Ensino Médio, SESC Tijuca, SESC Nova Iguaçu, Teatro Nelson Rodrigues – Caixa Cultura, Clube dos Democráticos, Lapa 40°, Rio Scenarium, Livrarias Saraiva, Circuito Cultural Mercado do Peixe, Teatro SESI/SENAI de Jacarepaguá e Circo Voador.


Músicos


Geraldo Junior: Voz, flauta, trompete, percussão e performances

Beto Lemos: Violão, viola, rabeca, violoncelo e vocal

Gabriel Pontes: Sax tenor, soprano, flauta e vocal

Ranier Oliveira: Sanfona, piano e vocal

Eduardo Karranka: Guitarras e vocal

Filipe Muller: Violão, baixo e vocal

Francisco Gomide: Percussão

Cláudio Lima: Bateria e vocal


Produção Geraldo Junior

55 (21) 8250 8346/ 55 (21) 3546 6108

producaogeraldojunior@gmail.com

www.geraldojunior.com.br

Rio de Janeiro – RJ

Brasil

 

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Cleivan Paiva


"Cleivan Paiva é de Simões, Piauí. Cearense por destino. Em sua primeira arribada pousou, de viola em punho, no Cariri cearense. Em Crato, início dos anos setenta, uniu-se a poetas do Grupo de Artes Por Exemplo-principalmente ao poeta Rosemberg Cariry. Nasceram as primeiras parcerias e vieram os tempos dos "Ases do Ritmo", grupo local de bailes, e as apresentações, como compositor, no movimento artístico da região. No violão e na guitarra, Cleivan tecia o fio de sua trajetória musical. Tudo lá, registrado no seu fraseado: do toque seresteiro-herança paterna- à batida de bossa nova; do ponteio da viola de feira àquela escala ao modo de um velho blue; beatlemania, bandas cabaçais, jovem-guarda, rodas de maneiro-pau e tropicália; balacubaco geral que o artista mais atento e inquieto incorpora sem copiar e devolve sob a forma de composições de extrema originalidade. Tudo, enfim, sem render-se aos modismos das chamadas "indústrias de cultura". "Guerra e Paz" é isto aí: uma mostra da materialização dessa longa trajetória sonora, vivenciada na geografia de díspares regiões. Nos anos 70, Cleivan formou, ao lado de Bá Freire, Isânio Santos, Audizio (Tapioca) e Bill Soares (ex- Papa Poluição) - o Ave de Arribação. O grupo arribou mesmo e, fatalmente, atuou em São Paulo; shows no metrô, nas praças e nos teatros da periferia. Quando desfeito, seus integrantes buscaram outros rumos musicais. Cleivan fez (faz) de tudo no ramo; desde gravações, como acompanhante em estúdios, até apresentações em casas noturnas. Também atuou em festivais: na Tupi classificou "Perímetro Urbano" (Nota: Na ocasião defendida por Marku Ribas) , incluída nesse disco (nele rende tributo a Victor Assis Brasil, tocando-a com arranjo do genial saxofonista). Antes disso, participou do Festival Universitário de SãoPaulo, com trabalhos de parceria com Rosemberg Cariry e Ivan Alencar. Conhecíamos Cleivan através de inúmeras fitas que caíam em nossas mãos, neste circuito ultramarginal, revelador das mais ricas reservas musicais que não estão no mercado. Mas, por aí a obra fica escondida e só os mais chegados tem o privilégio de ouvi-la. É necessário, então, romper o cerco imposto pela indústria fonográfica multinacional, aliada a certos impérios da comunicação vendidos aos seus interesses. E pinta o inevitável disco independente ou alternativo. Guerra e Paz é mais um nesta desigual batalha contra os "gigantes" que anunciam um certo "marasmo cultural"no atual momento brasileiro e tiram do colete rendosos modismos musicais que vem "salvar"o país desta suposta indigência criativa . Toda esta farsa se passa na terra de Vandré, Hermeto, Elomar, Cego Oliveira e Chico Maranhão; isto sem falar em tantos outros músicos e compositores de extraordinário talento que só tem suas canções registradas nos cassetes da vida. São os passageiros daquele trem que avança, conforme escreveu Marcus Venícius, "sem chegar a nenhuma estação/de rádio/sem fazer nenhuma parada/de sucesso!" Até quando permanecerá este boicote contra a mais legítima música popular brasileira ? Sabemos apenas que é preciso teimar na resistência, na lutra contra este imperialismo cultural."




Texto de Firmino Holanda escrito em 1984. Atualmente Cleivan Paiva mora no Crato, CE.


Dihelson Mendonça



Em uma carreira musical de mais de 30 anos devotada à música, e considerado um dos grandes pianistas Brasileiros, o tecladista/arranjador/compositor Dihelson Mendonca, nascido em Crato-CE em 1966, já demonstrou o seu talento, tocando lado a lado com os maiores nomes da música Instrumental brasileira, tais como: Hermeto Pascoal, Gilson Peranzzetta, Mauro Senise, Arismar do Espírito Santo, Luciano Franco, Toninho Horta, Vinícius Dorin (Saxofonista), André Marques, Itiberê Swarg (Baixista) , Márcio Bahia (Baterista), Beto Batera ( Irmão do Carlos Bala - baterista ), Carlinhos Patriolino, Márcio Resende, Nenê (Baterista), Fátima Santos (cantora), Lia Chaves (cantora), João Senna ( Sax ), Ricardo Júnior (Pianista e Arranjador da cantora Dóris Monteiro), Cleivan Paiva (Guitarrista com quem mantém um dueto de Jazz), dentre muitos outros. Enormemente aclamado por onde tem passado, Dihelson Mendonca possui um estilo eclético e virtuoso, que de imediato cativa a platéia. Compositor de cunho erudito e profundo pesquisador da música pianística, considera-se principalmente um pianista de Jazz, embora em seus concertos, execute frequentemente obras eruditas, de Bach à Stravinsky, e em especial, Frederic Chopin.



FORMAÇÃO MUSICAL
Dihelson Mendonça iniciou seus estudos de piano clássico na Sociedade de Cultura Artística de Crato-CE ( SCAC ), com a professora Diana Pierre no início dos anos 80. Com raro talento, dsenvolveu rapidamente, e aprendeu a tocar em apenas 3 anos de estudo, peças de enorme dificuldade técnica. Concentrou-se nos românticos, principalmente Chopin. A descoberta do Jazz deu-se por essa época, (1982) ao descobrir por um acaso, um disco do pianista Oscar Peterson, gravado pela “Rádio Canadá Internacional”. “Depois disso nada foi como antes!”, afirma o músico. Em seguida iniciou-se uma grande peregrinação para compreender a sua nova paixão: O JAZZ ! Pelo fato de em sua cidade natal as possibilidades de estudo de Jazz eram escassas, resolveu estudar por conta própria todo o tipo de material relacionado ao estilo, desde trascrições que fazia à partir de discos e fitas, a livros variados e revistas sobre Jazz, como a DownBeat.



Por volta de 1984, chegou a cursar a Universidade Federal da Paraíba, no curso de Engenharia Eletrônica em Campina Grande, mas, o seu amor pela música tocou mais alto, e Dihelson abandonou sua futura carreira de Engenheiro Eletrônico para se dedicar exclusivamente ao Piano. Nessa época, já com sólido embasamento musical e sob influência de músicos modernos como Chick Corea, Bill Evans e Keith Jarrett, formou com o guitarrista paraibano Jocel Fechine e mais quatro integrantes, o seu primeiro sexteto, do qual participaram alguns dos maiores nomes do Jazz do nordeste: Jocel Fechine à guitarra, Fernando Rangel baixista ( músico renomado, e hoje, integrante do grupo Contrabanda do Recife), Fernando trompete, Sérgio Manfredo ao Saxofone, e o grande baterista Giovanni. Esse grupo foi a "sensação" do departamento de Artes DART da UFPB em Campina Grande em 1985/86 onde realizava seus periódicos concertos.



Ainda por essa época, assombrou os alunos da Universidade Federal da Paraíba em João Pessoa, ao se apresentar com o guitarrista Jocel Fechine num concerto-surpresa. Em Campina Grande, estudou com diversos professores, dentre eles, o Prof. Otávio, que havia sido aluno do grande gênio francês Pierre Boulez, considerado um dos pilares da música moderna do século XX.



À partir de 1986 , abandonou de vez a Universidade e tornou-se autodidata, por achar que as universidades brasileiras não continham o estudo musical de que necessitava. Tratou de continuar a sua peregrinacão intensa por livros, discos, e toda espécie de material de pesquisa de Jazz e música contemporânea que persiste até os dias de hoje. Ainda em 1986, firmou seu “Quartel-General” em Crato, sua terra natal, onde formou o primeiro grupo da região especialmente dedicado ao Jazz: O "Cariri Samba-Jazz Quartet" que foi motivo de várias entrevistas em diversos jornais e revistas cearenses. Após o "CSJQ", Dihelson Mendonça se concentrou em seu aperfeiçoamento musical, como professor de Piano, Harmonia de Jazz e improvisação na “Sociedade de Cultura artística de Crato” (SCAC), em 1987, além de gravações em estúdio. No entanto, nunca interrompeu as suas apresentações para convidados seletos que apreciam a música clássica, ou em festivais de MPB, desde Manaus, a Porto Alegre, onde, em 1991, por ocasião do Festival Nacional dos Economiários, participando como arranjador numa música da autoria de Pachelly Jamacaru, o fez ganhar o prêmio de melhor arranjo do festival. Em Porto Alegre, se apresentou informalmente na conceituada sala Tom Jobim, para um público seleto, que o aplaudiu veementemente, então com 24 anos de idade. Em 1989, apresentou-se em Fortaleza com os excelentes músicos Brasileiros Gilson Peranzzetta, e Mauro Senise, que já lhe advertiam de que deveria deixar o Ceará o quanto antes e fazer vôos mais altos, coisa que sempre recusou a fazer.

FONTE: http://dihelson.blogspot.com/
Dihelson Mendonça é Pianista, arranjador, Compositor, Fotógrafo, Videomaker, webdesigner, além de inúmeras outras atividades. Reside atualmente em Crato-CE, onde mantém um grande estúdio de produções audio-visuais, e de onde mantém diversos websites dedicados à promover a Música Instrumental Brasileira, o Jazz, e a música Clássica. Como músico profissional há 20 anos, tem viajado pelo mundo, divulgando a sua arte e sua região, e procurado promover os grandes valores da arte e da cultura. Criador do Blog do Crato, o maior website da região, com mais de 50 escritores e milhares de artigos e membros. Embora sua principal paixão seja o seu Piano, Dihelson Mendonça é artista de múltiplos talentos. Tem se dedicado com grande empenho à arte da fotografia e do vídeo. Atualmente produz vários documentários e CDs em seu estúdio. Dihelson Mendonça é Pianista, arranjador, Compositor, Fotógrafo, Videomaker, webdesigner, além de inúmeras outras atividades. Reside atualmente em Crato-CE, onde mantém um grande estúdio de produções audio-visuais, e de onde mantém diversos websites dedicados à promover a Música Instrumental Brasileira, o Jazz, e a música Clássica. Como músico profissional há 20 anos, tem viajado pelo mundo, divulgando a sua arte e sua região, e procurado promover os grandes valores da arte e da cultura. Criador do Blog do Crato, o maior website da região, com mais de 50 escritores e milhares de artigos e membros. Embora sua principal paixão seja o seu Piano, Dihelson Mendonça é artista de múltiplos talentos. Tem se dedicado com grande empenho à arte da fotografia e do vídeo. Atualmente produz vários documentários e CDs em seu estúdio. Seu site oficial: www.dihelson.com

João do Crato

O mais controverso, intrigante, audacioso e talentoso intérprete da nossa região, representa a  música e cultura do Cariri da forma mais honesta e plena possível. Resgata em seu repertório grandes nomes da MPB, como Marinês e Adonirah Barbosa, compositores ja homenageados pelo João, asim como divulga os grandes nomes da música feita no Cariri, como Abidoral Jamacaru e Pachelly Jamacaru.

Artista na forma mais verdadeira de se fazer, dedica sua vida à música e aos grupos de reisados, sendo padrinhos de alguns, e está sempre envolvido em projetos culturais pelo SESC, CCBNB, é um grande ícone, nas suas interpretações expõe sensualidade, voz e estilo! Orgulho do Crato.

Foto: Samuel, "samuk"

Foto: Dihelson Mendonça

Pachelly Jamacaru

Foto: Dihelson Mendonça

Além de cantor e compositor, ele também gosta de trabalhar com fotografia, principalmente registrando as belas paisagens da região do Cariri onde ele vive e pratica sua arte.


Pachelly Jamacaru é irmão de Abidoral e ao que tudo indica o talento artístico está mesmo em família.


Em 1995, Pachelly gravou o CD “Balaios da Vida” , cuja direção musical dividiu com Dihelson Mendonça, outro talento da música do Cariri. A produção ficou a cargo de Socorro Jamacaru.

Temos também participações muito especiais de outros grandes intérpretes cearenses como Marcus Caffé, Eugênio Leandro , Luis Carlos Salatiel , Lia Chaves, Rossé Sabadia , João do Crato e Abidoral Jamacaru.
Outros músicos que participaram do CD: Aroldo Araújo (baixo), Luizinho Duarte (bateria), Cristiano Pinho (guitarra), Herlon Robson, Melquíades (violão), Dihelson Mendonça (sopros, teclados, arranjo), Lifanco (violão), Edmundo Jr (baixo) e Liduino Pitombeira.

FONTE: http://musicadoceara.blogspot.com/search/label/Pachelly%20Jamacaru


PACHELLY POR DIHELSON MENDONÇA

Pachelly é um daqueles raros exemplos da Arte produzida no Cariri. Atuante em diversas áreas, com 3 belos CDs gravados, elogiadíssimo pela crítica, e inúmeras exposições de seus trabalhos fotográficos, confessa: "Eu não poderia estar mais feliz neste ponto da vida, em que posso compatilhar um pouco da arte que produzo com as pessoas que me são gratas ao longo da vida, embora eu veja que tudo na vida é vaidade, e que o sentido da vida está na nossa capacidade de saber enxergar o mundo através dos melhores ângulos".

E isso, certamente é o que Pachelly Jamacaru sabe fazer de melhor. Através do website regional ZOOMCARIRI, www.zoomcariri.com ,que concentra grande parte dos grandes fotógrafos da região do Cariri, Pachelly Jamacaru se faz notar de imediato, com sua extrema habilidade e conhecimento sobre a arte da fotografia e seu olhar inusitado, que caracteriza os grandes gênios dessa arte. Não foi à toa que recebeu o prêmio de Destaque da concorridíssima revista "FOTOGRAFE MELHOR" por um de seus trabalhos.

BLOG DO PACHELLY: http://pachellyjamacaru.blogspot.com/

Banda cabaçal dos irmãos Aniceto

Irmãos Aniceto


A banda cabaçal dos Irmãos Aniceto surgiu no século XIX com o agricultor José Lourenço da Silva, que transmitiu seus conhecimentos musicais para filhos e netos. O grupo, sustentado por instrumentos de sopro e percussão, como pífanos, zabumba, caixa e pratos de metal, compõe inspirado no trabalho da roça e na observação do cotidiano da vida do sertão.


Conforme Mestre Raimundo, filho de José Lourenço da Silva, o grupo vem treinando seus herdeiros para montar a banda cabaçal infantil, com meninos de 6 e 7 anos, e assim como aprenderam com o pai, não deixarão a música dos Aniceto desaparecer. Os instrumentos da banda são fabricados por eles mesmos, conforme os segredos que passam de geração para geração.

fonte: http://coletivocamaradas.blogspot.com/



O som que veio da roça e dos Cariris
José Lourenço da Silva, índio Cariri do Ceará, possuía a alcunha de Aniceto e conhecia o Pife havia tempos. Fundou a Banda Cabaçal Irmãos Aniceto ainda no século XIX.
Foi ouvindo o pai tocar que os filhos aprenderam. Raimundo, Antônio José, João José, Benedito e Cícero tocam adiante hoje a banda. (Cabaçal é sinônimo de banda de Pife naquela região do país)
Os integrantes levam a tradição familiar adiante e ensinam os parentes próximos. Segundo o filho Raimundo, já tem gente da quarta geração da banda tocando. Recentemente criaram a banda-mirim, com as crianças que já demonstram incrível talento.
Raimundo fabrica os instrumentos do grupo, que já tocou no exterior apresentando a cultura do Pife. As apresentações do grupo incluem danças incríveis, com agilidade impressionante, apesar da idade avançada de alguns dos integrantes.
O jornalista Pablo Assumpção escreveu um livro chamado “Anicete – quando os índios dançam” que diz que a banda reúne “atores que desempenham uma performance única e que mescla o passo matreiro e intuitivo de cada um com modos ancestrais de dançar e imitar animais, aprendidos com as gerações indígenas da família. É essa performance que evolui em danças e trejeitos bem particulares que os diferencia de qualquer outra banda. Uma espécie de ritual secular que apresenta a força das coisas inéditas”.





(Foto: Antônio Vicelmo, Diário do Nordeste)
Homem simples da roça, seu Raimundo deu entrevista à página virtual Overmundo (Aqui: http://www.overmundo.com.br/overblog/mestre-raimundo-irmao-aniceto). Aqui estão alguns trechos:


“Foi meu pai quem me ensinou como os índios dança. Meu pai ensinou o Corta Tesoura, o Pula Cobra, o Trancelim…
A gente toca pra tudo, a gente toca pra igreja, a gente toca em procissão, nós temos nove noites de novena, em capela a gente toca, em renovação, toca em casamento, pra batizado, aniversário… Nós toca pra tudo, até pra quem já morreu…
Rapaz, eu tenho um comerciozinho, é fraquinho, é só comércio de farinha e goma. Tá fraco, não tem mais comércio não, tá fraquinho. Cinco horas da manhã eu tô armando a barraquinha na feira, fico até cinco horas da tarde, é o dia todim…
A música não sustenta não. A gente ama a música que a gente aprendeu, mas pra viver não dá não. A maior força da gente é a roça, a cultura. Os cachê é pouquinho, não dá pra sobreviver não. Um cachê da banda vai todim. A roça é a maior força da gente…
A roça era na terra dos outros. Nós não tem terra não. Nós pega um pedacinho de terra e planta na terra dos outros.Mas trabalhar na terra dos outros é fraco, viu? Porque a gente não tem condições de comprar um pedacinho de terra pra trabalhar, aí é o jeito trabalhar na terra dos outros”


FONTE: http://pifebrasileiro.wordpress.com/2008/06/12/banda-cabacal-irmaos-aniceto/
As bandas cabaçais, como a dos Irmãos Aniceto, são assim chamadas porque, antigamente, a zabumba era feita de cabaça e coberta com pele de bode ou carneiro

REPERTÓRIO DO DVD GRAVADO  COM A ORQUESTA DE CÂMARA ELEAZAR DE CARVALHO


Título das obras, autores e arranjadores
1- Asa Branca-(Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Arr. Liduino Pitombeira)

2- Mulher Rendeira (Radamés Gnatalli)

3- Marcha de Chegada

4- Alvorada Cabocla

5- Forró do Mestre Antonio (Irmãos Anicetos - Arr. Tarcísio Lima):


6- Bendito de São José

7- Marcha Batida


8- Choro Esquenta Muié


9- Baião Velho. (Irmãos Anicetos - Arr. Tarcísio Lima)


10- Forró Pesado(Irmãos Anicetos - Arr. Marco César)


11- Baião Pescador (Irmãos Anicetos - Arr. Marco César)


12-Macha estradeira


13-Baião trancelim


14-Dança do marimbondo


15-Severino Brabo


16-Briga de Galo


17-Quilariô


18-Macha Saideira

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Abidoral Jamacaru




Retrato do artista por si mesmo


Abidoral Jamacaru é engraçado, porque envolve vários aspectos, aspecto histórico, aspecto antropológico, sociológico, filosófico, religioso... Eu acho que eu sou uma soma, como todo mundo, não sou especial não, um somatório de todas essas coisas. Mas uma pessoa que nasceu numa cidade do interior do Nordeste e a princípio pensava que o Crato era uma grande cidade, porque a nível de Ceará ela se destaca. Mas que é uma cidade pequena, relativamente pequena, e teve a felicidade de despertar em algumas pessoas um senso artístico, do qual eu me beneficiei.
Me envolvi na música, não sei nem dizer, foi circunstancial, fui me envolvendo, quando percebi já tava lá dentro. Sou uma pessoa que tem uma pendência para a questão mística também, não gosto muito de falar disso, mas já que se trata de um documento que tô considerando importante, vou colocar esse dado. Muitas vezes as pessoas não compreendem isso, até zombam de certo modo, mas eu tenho muito esse lado de atentar pro lado místico das coisas.
Sou muito voltado, apreciador da arte em todos os sentidos. Filosoficamente, parto do princípio de que o melhor lugar do mundo é aqui e agora. Você tem que fazer a vida a partir do instante que você está vivendo.
Claro que a vida depende do que passou, você realizar no presente uma coisa que vá vingar no futuro. Essa relação do tempo acaba existindo. Você não pode desprezar o passado nem o futuro. Mas é importante você viver com todas essas letras o presente, sem se apegar ao passado e ao futuro. Abidoral é uma pessoa meio fora do tempo e, ao mesmo tempo, dentro do tempo, em outro sentido. É meio complicado´.


DALWTON MOURA


Repórter

FONTE:http://abidoraljamacaru.blogspot.com/
O DISCURSO
( De repúdio aos maus políticos )






Abidoral Jamacaru

Você diz que a sua idéia galopa veloz

porque a força da grana

virou seu corcel.

O seu estandarte é mais alto que o céu,

e a sua pistola só cospe sentença.

Por isso você pensa,

que é só você que pensa

é você só que pensa...

é você só que pensa...

é você só que pensa...

Eu escarro na sua retórica,

pois ela exala o odor do enxofre,

e a mim não engana!

Isso tá muito evidente.

A sua patente é sabor de suspeito.

você me acua...eu lhe mostro os dentes!



Não me venha que o mundo é sinistro

Eu já não trajo nada

você traja ministro

seu olhar é rubi,

o meu é de lança.

isso tudo é uma dança

Você sonha que eu durmo ?

Eu durmo acordado!

Você está de pijama?

Eu te vejo fardado!

Se você pensa que eu sou maluco,

você pensou certo!

Isto é um jogo aberto,

eu não trago bandeira

a parte que eu gosto do abismo, é a beira!

Não sou profeta,

Tampouco discípulo

vê se mata a charada,

pois eu já te devoro...

eu já te devoro!



Não se assuste!

Isso já passa...

depois, vem pior!

Já sofri feito Jó

e não estou mais disposto

a ficar todo roxo

de levar porrada

eu lhe grito no ouvido

- não levo mais nada -

se quiser deixe escrito

não sou Deus nem diabo...

nem um pé de quiabo...

não sou Deus nem diabo,

nem um pé de quiabo...

...

...